Quebra do sigilo do Lulinha – o que temem os arruaceiros da base governista do Lulopetismo?



Por Taciano Medrado*

A sessão da CPMI do INSS, realizada nesta quinta-feira, escancarou mais uma vez o clima de tensão que domina os corredores de Brasília quando o assunto envolve investigação e transparência. O que deveria ser um debate técnico sobre 87 requerimentos transformou-se em palco de gritos, questionamentos regimentais e tentativa de obstrução.

Parlamentares governistas contestaram a inclusão de itens na pauta e alegaram divergências na contagem dos votos. O resultado foi previsível: tumulto, suspensão da reunião e acusações cruzadas. Mas a pergunta que ecoa fora das paredes do Congresso é simples,  por que tanto nervosismo?

No centro da controvérsia está a aprovação da quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o chamado “Lulinha”. A comissão também aprovou a convocação de Gustavo Gaspar e Augusto Ferreira Lima, ampliando o alcance das investigações.

Se não há o que temer, por que o esforço quase desesperado para travar votações? A reação da base governista sugere que a simples possibilidade de aprofundamento das apurações já provoca desconforto. O discurso de “defesa da legalidade” contrasta com a resistência sistemática a instrumentos clássicos de investigação parlamentar.

A CPMI não é tribunal de exceção. É instrumento constitucional de fiscalização. A quebra de sigilo, quando aprovada dentro dos ritos legais, não é condenação prévia, é busca por esclarecimento. Quem confia na própria narrativa não deveria temer a luz dos fatos.

O episódio desta quinta-feira reforça a percepção de que parte da base governista prefere o barulho à transparência. A suspensão da sessão, após o tumulto, não apagou o que ficou evidente: a investigação avançou.

Em tempos em que a sociedade cobra responsabilidade e ética na gestão pública, o mínimo que se espera é serenidade diante da apuração dos fatos. Quem grita contra a investigação pode estar, inadvertidamente, gritando contra a própria transparência.

E a história mostra: quando há excesso de blindagem, a dúvida cresce na mesma proporção.

Nesse lamentável episódio protagonizado por parlamentares petistas, um recado deve ser dado: respeitem o povo brasileiro, a Constituição brasileira, o decoro parlamentar, a ética e a moral. E, acima de tudo, respeitem a si mesmos. A militância doutrinada à base da violência e da histeria não calará a CPMI,  e a verdade virá, gostem vocês ou não.

(*) Professor, redator chefe e analista político



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