O que dizem agora?



Por Percival Puggina*


Jurei sobre o altar de Deus, hostilidade eterna contra todas as formas de tirania sobre a mente do homem.” — Thomas Jefferson, em carta a Benjamim Rush.

Vocês que selecionaram o que noticiar ou não noticiar, explicaram o absurdo, riram da desgraça alheia, louvaram a impiedade, aplaudiram a censura, justificaram o descumprimento da lei, o que pretendem agora e o que pensam de si mesmos? Pergunto porque chegamos ao fundo do alçapão que há no fundo da toca que tem no fundo da arapuca que há no fundo do poço. E a verdade não mais se cobre com tintas nem com fantasias. É hora, então, de ouvir vocês, que ecoavam os silêncios de quem devia explicações, que se fartaram com os excessos do poder e se regozijaram ante os desabrigados da justiça dos homens. Que dizem vocês, agora?

Pois é, chegamos a este ponto e se faz dever de consciência proclamar, como cidadão, que isso é bom. Há proveito e virtude quando uma nação se vê assim, diante do espelho, longe do narcisismo dos donos do poder e dos auditórios pegajosos e lisonjeiros que cortejam as cortes e seus cortesãos.

Foram anos difíceis, estes que se seguiram à malfadada experiência das eleições de 2018 e 2022. Enquanto uns construíam e aclamavam o mito Bolsonaro, outros, paradoxalmente, numa espécie de antropofagia tupinambá, que devorava o inimigo para absorver o seu poder, faziam dele um mito reverso, objeto de cotidiana malhação. A figura do ex-presidente na situação clínica e psicológica atual e o nível de concentração de poder assumido pelos novos protagonistas da política parecem, mas apenas parecem, concretizar o referido ritual.

O problema é que ao contrário do que previa a cultura tupinambá, a prisão do mito, seus problemas de saúde e os direitos humanos que perdeu coincidem com uma redução do poder político dos ministros do STF. Em poucas semanas, o grupo que comanda a instituição contabiliza deserções e boa parte da velha mídia dá claros sinais de que os compromissos, se os havia, já foram cumpridos. Que cada um cuide de si e vivas ao furo de reportagem, cumprindo seu papel de expor falsos profetas e escrutinar os cantos escuros de salões que, para Alberto Pasqualini, deveriam ter paredes de cristal.

Resultado: lembram do velho desejo de “controlar a mídia”, que sempre animou o petismo quando no poder e, recentemente, se deslocou para as redes sociais? Pois é. Voltou. Voltou e nos recorda a necessidade de retomar o básico, com o Barão de Montesquieu: “Não há tirania mais cruel do que aquela que se exerce à sombra das leis e sob o pretexto da justiça”.

O alvoroço destes dias só pode ser instigante para quem, como eu, crê que democracia, sendo forma e valor, não convive com a inércia das coisas ocultas.

(*) Arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras. Escreve, semanalmente, artigos para vários jornais do Rio Grande do Sul, entre eles Zero Hora, além de escrever o seu próprio blog e em outros websites de expressão nacional, a exemplo do Mídia Sem Máscara, Diário do Poder, Tribuna da Internet. Sua coluna é reproduzida por mais de uma centena de jornais.

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