Lula ignora os alertas do ministro André Mendonça e da ministra Cármen Lúcia sobre exposição indevida no Carnaval, desce a Sapucaí e cumprimenta diretoria da Escola de Samba Acadêmico de Niterói cujo enredo lhe homenageou
Por: Taciano Medrado*
O Brasil parece viver um eterno ciclo onde política e espetáculo caminham de mãos dadas, e, muitas vezes, sem qualquer constrangimento institucional. No último fim de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a marcar presença em eventos carnavalescos de grande visibilidade, ampliando o debate sobre os limites entre agenda institucional e exposição política em ano eleitoral.
Não se discute aqui o direito do presidente de participar de manifestações culturais. O Carnaval é expressão legítima da identidade brasileira. O que se questiona é o uso político de palcos populares de enorme alcance midiático, especialmente quando pairam alertas vindos da própria Suprema Corte sobre possíveis excessos.
O ministro André Mendonça e a ministra Cármen Lúcia já manifestaram, em diferentes ocasiões, preocupação quanto à necessidade de observância rigorosa da legislação eleitoral e dos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa. A Constituição é clara: o agente público não pode se valer do cargo para promoção pessoal.
Ainda assim, Lula desafia os alertas do ministro André Mendonça e da ministra Cármen Lúcia sobre exposição indevida no Carnaval, desce à Sambódromo da Marquês de Sapucaí e cumprimenta a diretoria da Acadêmicos de Niterói, cujo enredo lhe homenageou. A cena, amplamente divulgada, ultrapassa o simbolismo cultural e adentra o terreno político-eleitoral, sobretudo em um ano marcado por forte polarização nacional.
A exposição em eventos de massa, com transmissão nacional, homenagens explícitas e narrativa favorável, pode facilmente ultrapassar a linha tênue que separa presença institucional de capitalização eleitoral. Ainda que não haja pedido direto de voto, a construção de imagem pública em ambiente festivo e altamente emocional produz dividendos políticos evidentes.
O problema não está no samba. Está no uso da estrutura simbólica do Estado em ambiente de campanha permanente.
Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral precisa agir imediatamente com imparcialidade e fazer cumprir a Lei Eleitoral do país. Caso se configure abuso de poder político ou exposição indevida, deve-se aplicar o princípio da inelegibilidade previsto na legislação vigente. A omissão pode resultar na desmoralização da Justiça Eleitoral, especialmente em um ano eleitoral polarizado, com cenário descrito por muitos como uma verdadeira guerra política entre esquerda e direita.
Democracia não se sustenta apenas na retórica festiva, mas no respeito às regras do jogo. Se a lei vale para todos, deve valer também para quem ocupa o mais alto cargo da República.
Carnaval é festa do povo. Justiça Eleitoral é guardiã do equilíbrio democrático. Quando o espetáculo se confunde com estratégia eleitoral, o país precisa decidir se seguirá no ritmo da institucionalidade, ou no compasso da conveniência política.
(*) Professor e analista político
Não
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