52% desaprovam governo Lula e 45% aprovam, diz Paraná Pesquisas
Por Taciano Medrado*
Os números divulgados pelo instituto Paraná Pesquisas acendem um alerta político significativo para o Palácio do Planalto. Segundo o levantamento, 52% dos brasileiros desaprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 45% ainda aprovam sua gestão. A margem não é apenas estatística, é simbólica. Ela traduz um país dividido, desconfiado e cada vez mais impaciente.
O chamado “Lula 3” foi apresentado como o retorno da estabilidade, da reconstrução institucional e da pacificação nacional. No entanto, passados mais de três anos de mandato, o que se observa é um cenário de desgaste político, embates constantes com o Congresso, tensionamento com setores produtivos e sucessivas crises de imagem.
A deterioração moral e ética apontada por críticos do governo não se limita a acusações formais ou narrativas oposicionistas. Ela está associada à percepção pública de incoerências discursivas, à reaproximação com velhas práticas da política tradicional e à dificuldade de estabelecer uma agenda econômica que dialogue com o cidadão comum. A inflação persistente em itens essenciais, o custo de vida elevado e a insegurança em diversas regiões do país contribuem para esse ambiente de frustração.
Além disso, o discurso de polarização permanente parece ter se tornado ferramenta de sobrevivência política. Ao invés de buscar consensos, o governo opta frequentemente pelo confronto retórico, alimentando uma base ideológica enquanto amplia a resistência entre setores moderados da sociedade.
O dado mais relevante da pesquisa talvez não seja apenas a desaprovação superior à aprovação, mas o desgaste da narrativa de “reconstrução”. Quando mais da metade da população expressa insatisfação, o sinal é claro: há uma crise de confiança em curso.
Governos não caem apenas por escândalos; eles se enfraquecem quando perdem legitimidade popular. A história recente do Brasil mostra que índices persistentes de desaprovação costumam gerar instabilidade política e dificuldades de governabilidade.
O desafio do presidente Lula, portanto, vai além de manter alianças no Congresso. Trata-se de recuperar credibilidade, reduzir a tensão institucional e apresentar resultados concretos que revertam a percepção negativa crescente.
Se os números do Paraná Pesquisas refletem fielmente o sentimento nacional, o governo precisa decidir: continuará apostando na retórica e na disputa ideológica ou reconhecerá que o país exige pragmatismo, ética e resultados?
A democracia é dinâmica. A opinião pública também. E quando 52% dizem “não”, o recado político é inequívoco.
Em janeiro, a desaprovação era de 50,6% e a aprovação, de 46,4%. Na avaliação qualitativa da administração de Lula, 43,5% classificam o governo como “ruim” (7,3%) ou “péssimo” (36,2%). Já 32,6% consideram a gestão “ótima” (12,8%) ou “boa” (19,8%). Outros 22,5% avaliam como “regular”.
A pesquisa foi realizada de 22 a 25 de fevereiro com 2.080 eleitores em 26 Estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%. Leia a íntegra (PDF – 350 kB) do levantamento, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o nº BR-07974/2026. (Fonte: Poder 360)
(*) Professor, redator chefe e analista político
Não
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