As promessas de campanha do atual prefeito de Juazeiro – “Cheiro no coração” – ficaram em cima dos palanques
Em Juazeiro, a cada nova eleição, renova-se o discurso, trocam-se os slogans, estampam-se novos rostos nos cartazes. Mas, na prática, o cenário urbano permanece o mesmo: ruas esburacadas, drenagem inexistente e bairros esquecidos pelo poder público. Entra gestão, sai gestão, e o povo continua literalmente nadando na lama.
A chuva que tem caído durante essa semana na cidade de Juazeiro no norte da Bahia, reprisa um antigo filme para a população, comerciantes e motoristas. Basta alguns milímetros de precipitação para que os velhos problemas de sempre apareçam: ruas alagadas, esgotos estourados e a mobilidade urbana completamente comprometida. Quem mais sofre é a população dos bairros periféricos, como o Jardim Flórida, onde a maioria das ruas não possui pavimentação, são de chão batido. O resultado é previsível: lama, buracos e isolamento.
O drama não é apenas visual; é sanitário e econômico. Comerciantes acumulam prejuízos, moradores enfrentam riscos à saúde, crianças têm dificuldade para ir à escola, trabalhadores chegam atrasados ou sequer conseguem sair de casa. A cidade para. E o que deveria ser uma exceção, torna-se rotina.
Durante a campanha, promessas foram feitas com entusiasmo. Falou-se em infraestrutura, drenagem, pavimentação, modernização urbana. O slogan “Cheiro no coração” ecoou como símbolo de renovação e cuidado com a cidade. No entanto, passado mais de um ano do mandato do atual prefeito, o que se vê é a repetição de velhas práticas: discursos fortes, ações fracas.
Não se trata apenas de criticar por criticar. Trata-se de cobrar planejamento, investimento e compromisso. Uma cidade do porte de Juazeiro não pode continuar refém de chuvas previsíveis e problemas estruturais históricos. Falta projeto técnico, falta prioridade orçamentária, falta fiscalização eficaz.
Enquanto isso, o povo segue enfrentando a lama, física e administrativa. A cada ciclo de chuvas na cidade, renova-se a esperança de que algo mude. Mas, até agora, o que muda mesmo são os gestores. Os problemas, infelizmente, permanecem.
(*) Professor, redator chefe e analista político
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