Governo Lula 3 e o Uso do dinheiro público em autopromoção no Carnaval do RJ e da Bahia

Grupo baiano que exaltou Lula no Carnaval da Bahia já recebeu R$ 900 mil reais em patrocínio do Governo Lula 3


Por Taciano Medrado*

Não bastasse os milhões dados pelo Governo Lula ás Escolas de sambas e em especial á  Acadêmicos de Niterói,  para homenagear o líder petista na Sapucaí, agora é a vez do dinheiro publico jorrar no  Carnaval da Bahia.  

Reconhecido como uma das maiores manifestações culturais do planeta, sempre foi espaço de irreverência, crítica social e celebração popular. Mas quando a festa se transforma em palco de exaltação explícita a governantes que, por sua vez, destinam recursos públicos aos mesmos grupos que os celebram, o debate deixa de ser cultural e passa a ser ético.

O chamado Governo Lula 3, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido o fortalecimento da cultura como política pública estratégica. Não há dúvida de que investir em cultura é legítimo e necessário. O problema surge quando os critérios de financiamento parecem caminhar lado a lado com a conveniência política.

Segundo a Revista Veja, o grupo Baiana System, conhecido por canções antissistema,  e por exaltar Lula neste Carnaval de Salvador, já recebeu R$ 900 mil em patrocínios oficiais do atual governo petista.

No sábado passado, durante o Carnaval de blocos na capital baiana, Lula e a primeira-dama Rosângela da Silva acompanharam a passagem do BaianaSystem. Durante uma das músicas mais conhecidas do grupo, o presidente foi homenageado em meio à multidão.

A informação levanta questionamentos inevitáveis: trata-se de incentivo cultural ou de marketing político custeado pelo contribuinte? O dinheiro público deve financiar manifestações culturais plurais, críticas e diversas,  não servir como combustível para enaltecimento pessoal de autoridades em exercício.

É preciso lembrar que recursos públicos não pertencem ao governo de turno. Pertencem ao povo brasileiro. Quando verbas federais são destinadas a eventos que promovem direta ou indiretamente a imagem de um governante, cria-se uma linha tênue entre política pública e propaganda institucional disfarçada de cultura.

O Carnaval sempre foi espaço de crítica ao poder,  inclusive ao próprio presidente da República. Transformá-lo em vitrine de autopromoção oficial pode significar um retrocesso simbólico. A cultura deve ser livre. O artista, independente. E o governo, republicano.

A questão central não é se o presidente pode ser homenageado. Em uma democracia, pode, e deve , ser alvo tanto de aplausos quanto de críticas. O ponto é outro: é aceitável que recursos federais beneficiem grupos que, coincidentemente, exaltam o governante que lidera a estrutura que distribui tais recursos?

O debate exige transparência total: quais foram os critérios técnicos para o repasse? Houve edital público? Quais outros grupos concorreram? A sociedade precisa dessas respostas para afastar qualquer sombra de uso político da máquina pública.

Em tempos de polarização intensa, o Brasil necessita de mais responsabilidade com o erário e menos personalismo na gestão pública. Cultura não pode ser moeda de troca simbólica. Dinheiro público não pode financiar palanque, ainda que sob o brilho das luzes do trio elétrico.

Afinal, em uma República madura, o Carnaval deve ser do povo, não de governos.

(*) Professor e analista político 

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