Olá caríssimos,
O Partido dos Trabalhadores parece repetir um velho roteiro: quando a conjuntura aperta, cria-se um factoide; quando a base vacila, planta-se uma narrativa; quando os aliados hesitam, espalha-se o boato estratégico. O problema é que, dessa vez, o movimento pode estar se transformando em autofagia política, aquela prática em que o organismo, para sobreviver, começa a devorar a si próprio.
Segundo o portal de notícias G1 – Política, lideranças do MDB subiram o tom contra os rumores de que o partido já estaria negociando a vaga de vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva para 2026. Fontes do partido ouvidas pelo blog classificam a história como um “balão de ensaio” plantado estrategicamente para criar um fato político antes da hora.
Esses emedebistas entendem que o entorno de Lula tem interesse direto em espalhar essa tese para enfraquecer as alianças que o partido mantém com a oposição em estados estratégicos. O exemplo mais forte é o de São Paulo, onde o prefeito Ricardo Nunes é peça-chave no apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Ao empurrar o MDB para a vice de Lula agora, o governo tentaria implodir esse palanque paulista.
Líderes do MDB ressaltaram que, mesmo com a ideia reforçada por alguns integrantes do partido, como o senador Renan Calheiros (AL) e o governador do Pará, Helder Barbalho, qualquer apoio formal à reeleição do petista teria de passar por um longo e difícil caminho institucional. Seria necessário convencer os diretórios estaduais, submeter a proposta à convenção nacional e, só então, discutir nomes para compor a chapa.
O recado é claro: não haverá adesão automática, nem rendição antecipada.
Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, o MDB está alinhado a forças de centro-direita e enxerga com extremo pessimismo qualquer tentativa de nacionalizar uma aliança com Lula, sob o risco de perder relevância regional. Ou seja, o partido sabe que um movimento precipitado pode custar caro, inclusive nas urnas locais.
O que chama atenção é a aparente ansiedade do núcleo petista. Ao tentar antecipar o debate sucessório, o governo parece admitir que 2026 já começou, e que a base está longe de estar consolidada. O “balão de ensaio” pode até funcionar como teste de temperatura, mas também revela insegurança estratégica.
Ao invés de fortalecer alianças, a tática pode produzir o efeito contrário: constranger parceiros, expor divergências internas e reacender disputas regionais. Em política, forçar movimentos antes da hora costuma gerar resistência. E resistência, quando acumulada, transforma-se em ruptura.
Se o PT insiste em tensionar seus aliados para garantir hegemonia antecipada, corre o risco de se isolar. A autofagia começa assim: na tentativa de controlar tudo, perde-se o essencial, a confiança da base e a coesão do campo político.
2026 ainda está distante no calendário, mas já pulsa nos bastidores. E, se o governo continuar apostando em ensaios prematuros e articulações subterrâneas, poderá descobrir tarde demais que o jogo da sucessão não se vence com rumores, mas com alianças sólidas, construídas no tempo certo.
No xadrez eleitoral, quem move a peça antes da hora pode acabar derrubando o próprio rei.
(*) Professor e analista político
Não
deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie
informações e sugestões para o TMNews do Vale
pelo e-mail: tmnewsdovale@gmail.com



Postar um comentário