Olá Caríssimos,
A CPMI do INSS segue avançando a passos lentos, não por falta de fatos, mas pela velha e já conhecida engenharia da procrastinação, ou no jargão popular, "empurrar com a barriga".
Convocações são feitas, datas são anunciadas com solenidade, mas, quando o cerco começa a apertar, surgem os previsíveis obstáculos de última hora, quase sempre embalados em papel timbrado e carimbo médico.
Nesta segunda-feira (9), a cena se repetiu. A CPI do INSS cancelou a sessão prevista após o empresário Paulo Camisotti apresentar um atestado médico alegando impossibilidade de comparecer à oitiva marcada para as 16h. O cancelamento foi anunciado pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), por meio das redes sociais. Em tom duro, Viana afirmou que a CPI não aceitará “expedientes protelatórios” nem o uso de atestados médicos como instrumento para esvaziar as investigações, advertindo que providências legais e regimentais poderão ser adotadas, inclusive a condução coercitiva, se necessário.
O discurso é firme, mas a prática continua revelando um roteiro já gasto.
Mais cedo, a própria comissão decidiu adiar o depoimento do deputado estadual do Maranhão Edson Araújo (PSB), investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. Segundo o senador, o parlamentar passou por cirurgia recente e ainda não possui liberação médica para se deslocar a Brasília. A oitiva, claro, ficou para “quando houver autorização”.
Coincidência ou não, o fato é que a CPMI vai sendo empurrada para frente enquanto os investigados ganham tempo, tempo suficiente para esfriar o debate público, reorganizar narrativas e apostar no cansaço da opinião pública. Não se trata de desrespeito ao direito à saúde, mas de um padrão que se repete com frequência suspeita sempre que a verdade ameaça sair do papel.
O INSS, símbolo máximo da seguridade social, virou sinônimo de escândalos, desvios e suspeitas graves. Ainda assim, a cada sessão cancelada, a comissão corre o risco de se transformar em mais um palco de indignação performática, sem resultados concretos. A justificativa oficial fala em respeito ao devido processo legal; nos bastidores, o que se vê é o uso cirúrgico da burocracia para travar investigações.
Enquanto isso, aposentados e pensionistas não contam com atestados quando o benefício atrasa, nem com adiamentos quando o sistema falha. Para o cidadão comum, a regra é rígida e imediata. Para os convocados da CPMI, o relógio anda devagar, e sempre a favor deles.
A CPMI do INSS ainda pode mostrar a que veio. Mas, se continuar refém da arte da procrastinação, corre o sério risco de entrar para a longa lista de comissões que começaram prometendo tudo e terminaram entregando quase nada. No Brasil, infelizmente, adiar continua sendo uma das formas mais eficientes de escapar.
(*) Professor e analista político
Não
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