Carnavalesco ou militante Lulopetista?

Em um Brasil polarizado, o que menos se precisava era de quem alimentassem o fogo

Por Taciano Medrado*

Olá caríssimos,

Para não deixar uma fogueira apagar o fogo se coloca mais lenha. Foi isso que os carnavalescos da Acadêmicos de Niterói fizeram no tradicional desfile das escolas de samba na Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, ao terem a infeliz ideia de apresentar um samba-enredo em homenagem ao atual presidente da República e autodeclarado pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva.

O Brasil atravessa um dos períodos mais tensos de sua história política recente. A polarização deixou de ser apenas um fenômeno eleitoral para se tornar parte do cotidiano nacional, nas redes sociais, nas escolas, nas igrejas, nos ambientes de trabalho e até nas festas populares. Nesse cenário delicado, cada gesto público de figuras com grande influência simbólica carrega peso político e social.

O Carnaval, tradicionalmente reconhecido como espaço de cultura, arte e crítica social, sempre dialogou com a política. Mas há uma linha tênue entre a manifestação artística e o uso da festa como palanque ideológico. Quando essa linha é ultrapassada, o risco é transformar o espetáculo popular em instrumento de militância, aprofundando ainda mais as divisões que já fragilizam o país.

O questionamento que ecoa nas ruas e nas redes é simples: estamos diante de um carnavalesco exercendo sua liberdade criativa ou de um militante lulopetista instrumentalizando a maior festa popular do mundo? A dúvida surge não pelo direito de expressão, que é constitucional e legítimo — mas pelo contexto. Em um Brasil inflamado por disputas políticas permanentes, qualquer gesto que pareça provocação tende a funcionar como combustível.

A arte sempre foi crítica. O samba sempre foi contestador. No entanto, quando a crítica se confunde com militância partidária explícita, perde-se parte do caráter universal que torna o Carnaval uma celebração plural. A festa que deveria unir acaba dividindo. O desfile que deveria emocionar passa a ser interpretado como recado político direcionado.

Não se trata de censura ou de cerceamento da liberdade artística. Trata-se de responsabilidade. Em tempos de tensão institucional, lideranças públicas e formadores de opinião precisam compreender que suas atitudes reverberam além da avenida. O Brasil não precisa de mais provocações. Precisa de pontes.

O que menos se precisava era de quem alimentasse o fogo. Seja no palanque, nas redes ou na passarela do samba, a escolha entre unir ou dividir é sempre uma decisão política, ainda que venha fantasiada de festa.

(*) Professor e analista político

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