Aos bajuladores travestidos de carnavalescos, o rebaixamento



Por Taciano Medrado*

O Carnaval do Rio de Janeiro é, antes de tudo, espetáculo. É arte, cultura popular, criatividade e emoção. Mas quando o enredo deixa de dialogar com a comunidade e passa a servir de palanque ideológico, o risco é grande: a avenida pode virar tribunal, e o julgamento vem com nota fria, sem paixão partidária.

A escola Acadêmicos de Niterói apostou alto ao transformar seu desfile em um ato explícito de exaltação política. Em vez de metáfora refinada ou crítica social ampla, marcas tradicionais do Carnaval carioca, optou por uma narrativa considerada por muitos como bajulação escancarada ao líder do PT, Lula.

Carnaval sempre dialogou com política? Sim. A história da Carnaval do Rio de Janeiro prova isso. Diversas escolas já abordaram temas políticos, sociais e históricos. A diferença está no tom. Quando a crítica vira militância e a arte cede espaço à propaganda, o público percebe, e os jurados também.

Se os bajuladores e militantes Lulopetistas pensaram que iam emplacar um enredo homenageando o desgastado Lula do PT e que levasse a escola a um resultado positivo nesse Carnaval do Rio de Janeiro, se deram muito mal. A agremiação amargou um merecido rebaixamento. Bem feito! Todo castigo é pouco!

Para muitos brasileiros, a quarta-feira de cinzas teve sabor de resposta. A maioria do povo lavou a alma ao ver o resultado consolidado. Que sirva de exemplo para todos que quiserem transformar a sagrada Marquês de Sapucaí em palanque eleitoral. A resposta foi dada!

A avenida da Marquês de Sapucaí não é comício. Não é palanque eleitoral. Não é extensão de campanha. É território da fantasia, da crítica inteligente e da criatividade popular. Quando se ultrapassa essa linha tênue, o preço pode ser alto. E foi.

O rebaixamento da escola soou, para muitos, como uma consequência natural de uma escolha equivocada. Escola de samba é comunidade, é raiz, é tradição. Quando a direção opta por alinhar a arte à militância explícita, assume também os riscos da reação popular.

Há quem defenda que foi perseguição. Há quem diga que foi injustiça. Mas também há quem enxergue coerência no resultado. Afinal, o Carnaval é julgamento técnico, harmonia, evolução, enredo, fantasias, alegorias. E quando o conjunto não convence, a nota desce.

A lição que fica é simples: escola de samba não é diretório partidário. O samba é maior que qualquer governo. É maior que qualquer presidente. É voz do povo, não eco de gabinete.

No fim das contas, a Sapucaí falou. E falou alto.

No Carnaval, quem exagera no palanque pode acabar descendo do salto, ou, como diz o velho ditado popular, o castigo veio a cavalo.

E por fim, a popularidade da escola Acadêmicos de Niterói reflete a popularidade do seu homenageado - Lula do PT. 

(*) Professor e analista político



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