Por: Taciano Medrado*
Olá carissimos,
Todos os anos, quando dezembro se aproxima, o brasileiro honesto passa a conviver com um sentimento que mistura indignação, medo e revolta: a chamada saidinha de Natal.
Vendida como um gesto humanitário e de ressocialização pelo governo, ela se transforma, na prática, em um símbolo da inversão de valores que insiste em se repetir no país.
Enquanto famílias se organizam para celebrar o Natal, muitos cidadãos vivem sob tensão, reforçando trancas, evitando sair de casa e torcendo para não cruzar o caminho de quem deveria estar cumprindo pena. O discurso é bonito: “ressocializar”, “reintegrar”, “dar uma chance”. A realidade, porém, é dura e conhecida, parte dos beneficiados não retorna aos presídios e, em alguns casos, volta a cometer crimes, manchando ainda mais um sistema já desacreditado.
A pergunta que ecoa é simples e incômoda: quem pensa nas vítimas? Quem se solidariza com as famílias que perderam filhos, pais e mães para a criminalidade? Para essas, não existe saidinha, não existe perdão automático, não existe segunda chance. Existe apenas o luto permanente e a sensação de abandono pelo Estado.
Os números ajudam a desmontar o discurso oficial. Segundo o jornal O Globo, mais de 250 presos que deixaram presídios na saidinha de Natal não retornaram, entre eles quatro considerados de alta periculosidade. A maioria é ligada ao Comando Vermelho. Policiais e milicianos beneficiados pela Visita Periódica ao Lar (VPL) retornaram até o prazo final, em 30 de dezembro, o que torna o contraste ainda mais perturbador.
Sete anos após ser preso pela Polícia Federal, Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado, acusado de chefiar grandes assaltos e atuar no tráfico de drogas e armas, voltou às ruas ao ser beneficiado com a saída temporária de Natal. Ele foi um dos 1.868 presos autorizados a visitar a família, mas não retornou à prisão no prazo previsto. Tiago integra a lista dos 258 internos que não regressaram; desse total, 150 eram integrantes do Comando Vermelho. Ao todo, 346 presos ligados à facção obtiveram a VPL no período natalino, 47,45% dos beneficiados do CV, número que representa um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.
Não se trata de negar direitos ou defender vingança, mas de exigir coerência. Ressocialização não pode ser sinônimo de irresponsabilidade. Benefícios penais precisam ser concedidos com critérios rigorosos, transparência e, acima de tudo, respeito à sociedade que cumpre a lei e paga impostos.
No país onde o cidadão de bem vive acuado e o criminoso recebe privilégios, o Natal deixa de ser apenas uma data de confraternização e passa a ser um período de alerta. Diante desse cenário, resta ao povo fazer o que tem feito há anos: rezar, se proteger e repetir, com ironia e desespero, que Deus nos acuda!
(*) Redação do TMNews do Vale
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