Por: Taciano Medrado*
Olá carissimos,
Dizem que o inferno está vazio. E, olhando com atenção para o Brasil contemporâneo, a frase deixa de ser metáfora literária para ganhar contornos de crônica política. Os demônios, ao que tudo indica, atravessaram o oceano, desembarcaram por aqui e se acomodaram confortavelmente nos gabinetes refrigerados, nos palanques inflamados e nas timelines barulhentas das redes sociais.
São demônios modernos, bem vestidos, articulados e extremamente seletivos. Pregam virtudes que não praticam, discursam sobre democracia enquanto flertam com o autoritarismo conveniente, defendem a liberdade desde que seja a sua, e bradam contra a corrupção apenas quando ela não é “do nosso lado”. Nada de chifres ou rabo: usam ternos caros, slogans bonitos e um vocabulário moralista sob medida para cada ocasião.
O Brasil virou um laboratório onde a hipocrisia é elevada à categoria de política pública. Aqui, a indignação é sazonal, a ética é relativa e a memória coletiva dura menos que um story de Instagram. Escândalos se sucedem, narrativas se reinventam, e o cidadão comum assiste a tudo como quem vê uma série ruim: indignado, mas preso ao próximo episódio.
Enquanto isso, os verdadeiros problemas, educação, saúde, segurança, desigualdade, seguem sendo empurrados para debaixo do tapete, soterrados por guerras ideológicas vazias e debates passionais que não produzem soluções, apenas likes e palmas de militância. O país não avança, mas o barulho aumenta. E muito.
Se o inferno está vazio, não é porque o mal deixou de existir, mas porque encontrou no Brasil um ambiente fértil: polarizado, emocionalmente exausto e cada vez mais tolerante com seus próprios demônios, desde que eles confirmem nossas crenças.
No fim das contas, talvez o maior castigo não seja viver cercado por demônios, mas aprender a conviver com eles como se fossem anjos. Afinal, por aqui, o inferno não só está vazio, ele foi normalizado.
(*) Professor e psicopedagogo
Não
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