O efeito colateral da polarização entre militantes de esquerda e direita no Brasil

Por:  Taciano Medrado*

Olá carissimos

A polarização política no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno eleitoral para se tornar um problema social crônico. O embate entre militantes de esquerda e direita, cada vez mais radicalizado, vem produzindo efeitos colaterais graves que vão muito além das disputas partidárias: corrói o debate público, fragmenta relações pessoais, familiares e enfraquece a própria democracia.

O espaço para o diálogo racional foi substituído pela lógica do “nós contra eles”. De um lado, militantes enxergam qualquer crítica ao governo como ataque antidemocrático; do outro, toda ação estatal é rotulada como ameaça autoritária ou comunista. Nesse ambiente, fatos perdem valor, argumentos são ignorados e a política se transforma em torcida organizada, movida a slogans, xingamentos e desinformação.

As redes sociais funcionam como combustível dessa radicalização. Algoritmos premiam o conteúdo mais agressivo e emocional, empurrando o cidadão comum para bolhas ideológicas onde só se consome aquilo que confirma suas crenças. O resultado é um país dividido não apenas por ideias, mas por versões completamente distintas da realidade. Não há convergência possível quando cada lado acredita ser o único dono da verdade e da moral.

Esse cenário produz um efeito ainda mais nocivo: a paralisação do debate sobre os reais problemas do Brasil. Questões urgentes como economia, segurança pública, saúde, educação e infraestrutura ficam em segundo plano, enquanto a pauta política se resume a defender ou atacar personagens, governos e narrativas. O país perde tempo, energia e oportunidades, enquanto a população continua enfrentando dificuldades concretas no dia a dia.

Outro efeito colateral perigoso é a desumanização do adversário político. Militantes deixam de ver o outro como cidadão com opinião diferente e passam a tratá-lo como inimigo a ser combatido, cancelado ou silenciado. Isso fragiliza a convivência democrática e abre espaço para discursos de ódio, intolerância e até violência simbólica e física.

A polarização extrema interessa a poucos, mas prejudica a muitos. Ela fortalece lideranças que vivem do conflito permanente e enfraquece instituições que dependem de equilíbrio, diálogo e responsabilidade. Enquanto a militância grita, o Brasil segue dividido, estagnado e refém de uma guerra ideológica que não entrega soluções reais.

Superar esse ciclo não significa abrir mão de convicções políticas, mas recuperar o senso crítico, a capacidade de ouvir e o compromisso com os fatos. Sem isso, a polarização continuará sendo não apenas uma característica do cenário político brasileiro, mas um de seus mais danosos efeitos colaterais.

(*) Professor, psicopedagogo e analista político

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