A morte do jornalista Erlan Bastos, noticiada nos últimos dias, convida a uma reflexão que vai além das divergências políticas e das disputas narrativas que marcam o debate público brasileiro.
Segundo a plataforma X, em setembro do ano passado, Bastos foi um dos que desdenharam do estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, tratando com ironia e descrédito um tema que, goste-se ou não do personagem, envolve sofrimento humano e respeito básico à condição física de qualquer pessoa.
O episódio escancarou um problema recorrente no jornalismo opinativo e nas redes sociais: a substituição da empatia pelo sarcasmo, da apuração pelo deboche, da crítica legítima pelo ataque pessoal. Quando a doença vira mote para escárnio, perde-se o limite ético que deveria separar a crítica política, necessária e saudável, da desumanização do adversário.
A morte de Bastos não “anula” suas posições, nem reescreve o passado. Tampouco deve ser usada como instrumento de revanche moral. Mas ela impõe um silêncio incômodo que nos obriga a encarar a própria postura coletiva: até que ponto o ambiente de ódio normalizou a celebração da dor alheia? Em que momento o jornalismo, e parte do público, passou a confundir coragem com crueldade?
É possível discordar profundamente de Jair Bolsonaro, de suas ideias e de seu legado, sem reduzir a questão da saúde a um espetáculo de zombaria. Da mesma forma, é possível reconhecer que a morte de um jornalista, independentemente de suas falas passadas, merece sobriedade e respeito. A crítica não precisa ser cínica para ser firme; não precisa ser desumana para ser contundente.
Que esse episódio sirva menos para acirrar trincheiras e mais para recolocar a ética no centro do debate público. A morte encerra biografias, mas abre lições. Entre elas, a de que a palavra tem peso, e que o desprezo pela dor do outro cobra seu preço, não como castigo divino, mas como empobrecimento moral da sociedade que aplaude.
Por fim, como cristão desejo que o jornalista Erlan Bastos possa descansar em paz.
(*) Professor e psicopedagogo
Não
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