Lula morde a própria língua — criticou Bolsonaro e gasta R$ 2 milhões por mês no cartão corporativo, com 99% sob sigilo

Por: Taciano Medrado*

Olá caríssimos,

Durante a campanha e ao longo de sua trajetória política recente, Lula fez do cartão corporativo um dos principais instrumentos retóricos contra Jair Bolsonaro. Discursos inflamados, promessas de transparência e críticas duras ao “uso abusivo” do dinheiro público ajudaram a construir a narrativa de que, sob sua volta ao Planalto, haveria um novo padrão ético na Presidência da República.

A realidade, porém, parece ter mordido a própria língua do presidente.

Os números oficiais reforçam a contradição. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que a Presidência da República gastou mais de R$ 55 milhões com cartões corporativos entre janeiro de 2023 e abril de 2025. Do total de R$ 55.497.145,48, apurado em auditoria, mais de 99% das despesas foram classificadas como sigilosas, sem qualquer detalhamento público.

Na prática, isso confirma que os gastos mensais giram em torno de R$ 2 milhões, protegidos quase integralmente por sigilo — exatamente o tipo de conduta que Lula condenava com veemência no governo anterior.

O próprio relatório do TCU é claro ao apontar que o uso extensivo do sigilo dificulta o controle social e a fiscalização dos gastos públicos. E a situação se agrava: mesmo as despesas que não estão formalmente classificadas como confidenciais carecem de informações básicas, como apresentação de notas fiscais, descrição dos serviços ou identificação dos fornecedores.

O órgão de controle cobra há anos maior transparência na divulgação dos gastos realizados com cartões corporativos. Pelas regras do TCU, despesas não sigilosas devem ser divulgadas de forma detalhada, enquanto aquelas protegidas por confidencialidade deveriam, ao menos, apresentar valores consolidados por categoria, permitindo algum nível de acompanhamento pela sociedade.

É verdade que a legislação autoriza sigilo em casos específicos, ligados à segurança do Estado. No entanto, setores da sociedade civil e especialistas em contas públicas questionam a banalização desse recurso, especialmente quando se trata de valores elevados e recorrentes, pagos com dinheiro do contribuinte.

A contradição política é evidente. O discurso da transparência virou silêncio institucional. A promessa de “caixa aberta” foi substituída por uma cortina de sigilo ainda mais espessa. Se antes isso era inaceitável, a pergunta que fica é inevitável: o problema era o cartão corporativo ou quem estava sentado na cadeira do poder?

Não se trata de absolver erros passados, mas de cobrar coerência. Quem se elegeu prometendo fazer diferente não pode governar reproduzindo, ou aprofundando, práticas que condenava. A ética pública não pode ser seletiva, nem variar conforme o partido no comando do Planalto.

No fim, o episódio escancara um velho vício da política brasileira: o abismo entre o discurso e a prática. Lula criticou, apontou o dedo e prometeu mudança. Agora, governa sob o mesmo manto de sigilo que dizia combater. E o contribuinte, mais uma vez, paga a conta, no escuro. E ainda tem militonto Lulopetista  cego que engoliu a promessa da picanha e da cervejinha que insiste em não querer enxergar.

(*) Professor, analista político e redator chefe do TMNews do Vale

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