Uma escavadeira destrói uma estrutura na sede da UNRWA no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, em 20 de janeiro de 2026© ilia yefimovich
Tratores israelenses começaram a demolir, nesta terça-feira (20), estruturas na sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental, no que a organização qualificou como um "ataque sem precedentes".
Israel acusou repetidamente a UNRWA de ser uma fachada para milicianos do Hamas e alega que alguns de seus funcionários participaram do ataque surpresa do movimento islamista palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Várias investigações, inclusive uma liderada pela ex-ministra francesa das Relações Exteriores Catherine Colonna, encontraram alguns "problemas relacionados com a neutralidade", mas destacaram que Israel não forneceu provas conclusivas.
"A UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações no local e não tinha mais pessoal da ONU, nem realizava quaisquer atividades das Nações Unidas ali. O complexo não goza de qualquer tipo de imunidade, e seu confisco pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional", informou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
A agência da ONU para os refugiados palestinos denunciou prontamente um "ataque sem precedentes", segundo Roland Friedrich, diretor da UNRWA para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
- "Uma violação grave" -
A demolição "é uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas", condenou ele.
"Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU", acrescentou Jonathan Fowler, porta-voz da agência.
Segundo ele, as forças israelenses "invadiram" o complexo pouco depois das 5h00 GMT (02h00 no horário de Brasília) e expulsaram os seguranças antes que tratores entrassem e começassem a demolir os prédios.
"Isso deveria servir de alerta", acrescentou Fowler. "O que está acontecendo com a UNRWA hoje pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo", afirmou.
A Autoridade Palestina condenou a ação israelense e advertiu para "uma escalada deliberada (...) no marco de um ataque sistemático" contra a UNRWA e "uma tentativa de minar o sistema internacional de proteção dos refugiados palestinos".
A Jordânia denunciou uma "violação flagrante do direito internacional" e a Arábia Saudita expressou seu "apoio à UNRWA em sua missão humanitária" a favor dos palestinos.
O chefe da agência, Philippe Lazzarini, também criticou no X uma nova tentativa das "autoridades israelenses de apagar a identidade dos refugiados palestinos".
O status de refugiado é transmitido de geração em geração e está vinculado ao direito ao retorno, que Israel não reconhece e representa um dos pontos mais sensíveis do conflito israelense-palestino.
- "Dia histórico" -
O ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, fez uma breve visita ao local, conforme observou um fotógrafo da AFP.
"Este é um dia histórico, um dia de celebração e um dia muito importante para a governança de Jerusalém", disse Ben Gvir, citado em um comunicado.
"Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão sendo expulsos daqui, juntamente com tudo o que construíram neste local. Isso é o que acontecerá com todos os apoiadores do terrorismo", acrescentou o ministro.
O complexo em Jerusalém Oriental, a parte predominantemente árabe anexada por Israel, estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibia suas operações, após meses de disputa sobre seu trabalho na Faixa de Gaza.
A proibição se aplica a Jerusalém Oriental, mas a agência ainda opera na Cisjordânia ocupada e em Gaza.
Criada em 1949, a UNRWA administra centros de saúde e escolas destinados aos refugiados nos Territórios Palestinos, no Líbano, na Síria e na Jordânia.
Fonte: AFP
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