Olá caríssimos,
Nunca acreditei nessa narrativa de Lula, com exagero de superego, de que no encontro dele com Trump havia "pintado" uma "química" entre os dois .
Para mim não chega a ser surpresa, e para quem acompanha minimamente a política internacional e entende que relações entre chefes de Estado não se constroem com discursos ideológicos, mas com interesses estratégicos, o fim da suposta “química” entre Lula e Donald Trump era apenas questão de tempo.
Desde o início, a narrativa de uma possível aproximação entre os dois sempre soou artificial. De um lado, Lula, alinhado a pautas progressistas globais, defensor de agendas ambientais rígidas, simpatizante de regimes autoritários de esquerda e crítico contumaz da política externa americana em governos conservadores. Do outro, Trump, nacionalista, pragmático, cético em relação a acordos multilaterais, avesso ao discurso ambientalista e profundamente crítico da esquerda latino-americana, especialmente daquela que flerta com Venezuela, Cuba e Nicarágua.
Não há “química” onde não há afinidade de valores nem convergência de interesses. O que existiu, no máximo, foi conveniência momentânea, gestos protocolares e uma tentativa de Lula de se manter relevante no tabuleiro internacional, mesmo dialogando com quem pensa exatamente o oposto.
Essa fragilidade ficou evidente nesta terça-feira, 20 de janeiro, quando Lula da Silva (PT) “suspendeu” a trégua diplomática com os Estados Unidos ao fazer críticas diretas a Donald Trump e ao próprio país durante agenda no Rio Grande do Sul. Em tom abertamente confrontacional, Lula acusou o presidente americano de tentar “governar o mundo” por meio do Twitter, além de questionar a postura adotada por Trump diante de recentes movimentos que, segundo ele, avançariam contra a soberania de territórios, citando, inclusive, o caso da Venezuela.
“Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa. E você acha que é possível a gente tratar o povo com respeito se não olhar no rosto? Achar que é objeto e não um ser humano?”
As declarações não apenas encerram qualquer ilusão de cordialidade entre os dois líderes, como também expõem o abismo político e ideológico que sempre separou Brasília e Washington nesse eixo específico. Trump nunca escondeu sua visão crítica sobre líderes que relativizam a democracia conforme a conveniência ideológica. Tampouco Lula fez esforço real para esconder seu desconforto com o estilo direto, confrontacional e antiglobalista do ex-presidente americano. Era uma relação condenada ao desgaste desde o primeiro aperto de mão.
O episódio escancara um problema maior: o Brasil perdeu previsibilidade diplomática. Em vez de uma política externa baseada em interesses nacionais claros, o país insiste em alinhar-se a narrativas ideológicas, ora buscando protagonismo ambiental seletivo, ora passando pano para ditaduras “amigas”. Isso cobra seu preço.
No fim das contas, não acabou só a “química” entre Lula e Trump. O que se esvai, mais uma vez, é a credibilidade do Brasil como parceiro estratégico confiável, capaz de dialogar com diferentes polos de poder sem subserviência ideológica nem voluntarismo político.
Para alguns, a ruptura pode soar como ato de coragem. Para quem observa com lupa, é apenas mais um capítulo previsível de uma diplomacia guiada por discursos internos e aplausos de plateia, mas distante do realismo que o cenário internacional exige.
Aguardem essa história, Trump x Lula, ainda vai dar muito o que render.
(*) Professor e analista político
Não
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