Efeito colateral — Trump impõe ao Brasil e demais parceiros comerciais do Irã tarifaço de 25%



Por: Taciano Medrado

Olá caríssimos,

Se as relações diplomáticas entre o governo Trump, dos EUA, e o governo Lula 3, do Brasil,  já não andavam lá essas coisas, parece que  agora ficou pior. 

A política externa norte-americana volta a mostrar que, quando Washington decide apertar o cerco, os efeitos colaterais raramente se restringem ao alvo principal. A mais nova investida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã atinge em cheio países que mantêm relações comerciais com Teerã, entre eles, o Brasil,, evidenciando como decisões unilaterais podem gerar impactos globais imediatos.

Trump, anunciou que qualquer país que faça negócios com o Irã terá de lidar com uma tarifa adicional de 25% sobre “todo e qualquer” comércio feito com os Estados Unidos. Conforme publicação feita nesta segunda-feira, 12, na Truth Social, a ordem é “final, conclusiva e efetiva imediatamente”.

A medida, de tom impositivo e sem margem para negociação, reforça a estratégia de pressão máxima adotada por Trump, que usa o peso econômico dos EUA como instrumento de coerção política. Na prática, trata-se de uma escolha forçada: ou os países se alinham à política externa americana, ou pagam um preço alto para continuar acessando o mercado norte-americano.

Para o Brasil, o impacto vai além das cifras. A decisão expõe a fragilidade de uma diplomacia que oscila entre pragmatismo econômico e alinhamentos ideológicos mal calculados. Ao manter relações comerciais com o Irã, o país agora se vê diante de um dilema: preservar sua soberania comercial ou evitar prejuízos significativos em suas exportações para os Estados Unidos.

Mais do que uma sanção ao Irã, o tarifaço de Trump funciona como um recado direto ao mundo: quem desafiar a hegemonia americana será punido, ainda que indiretamente. O problema é que, nesse jogo de força, parceiros comerciais acabam pagando a conta de disputas geopolíticas que não ajudaram a criar.

O efeito colateral, portanto, não é acidental, é parte da estratégia. Resta saber se o Brasil e outros países afetados optarão pela submissão silenciosa ou se buscarão alternativas para reduzir a dependência de decisões unilaterais que tratam o comércio internacional como arma política.

(*) Professor e analista político

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