Presidente interina da Venezuela ironizou derrota de Bolsonaro e comemorou soltura de Lula
A política costuma ser implacável com quem celebra derrotas alheias sem medir o peso da própria realidade. O chamado efeito bumerangue é exatamente isso: a ironia do destino que devolve, com força redobrada, aquilo que foi arremessado em tom de deboche.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, já se posicionou publicamente nas redes sociais sobre episódios marcantes da política brasileira. Integrante do núcleo duro do regime chavista, ela manifestou apoio explícito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não poupou críticas aos ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Michel Temer (MDB).
No último sábado, dia 3, a Suprema Corte da Venezuela determinou que Delcy Rodríguez assumisse interinamente a presidência do país. A decisão ocorreu após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em um episódio que causou forte repercussão internacional. Delcy tomou posse oficialmente nesta segunda-feira, 5, passando a representar, ainda que de forma provisória, um regime marcado por autoritarismo, repressão e sucessivas violações democráticas.
Esse histórico ajuda a contextualizar suas manifestações passadas. Em outubro de 2022, logo após a vitória de Lula nas eleições presidenciais brasileiras, Delcy celebrou o resultado com entusiasmo ideológico. “Viva Lula! Viva o grande povo do Brasil, que abre novos caminhos para a nossa América Latina!”, escreveu à época, numa clara sinalização de alinhamento político e simbólico com a esquerda latino-americana.
Ao mesmo tempo em que comemorava a liberdade de Lula e ironizava a derrota de Bolsonaro, pouco ou nada era dito sobre a grave crise humanitária, econômica e institucional que devastava a própria Venezuela. O discurso de “liberdade” soava contraditório vindo de uma representante de um regime acusado de perseguir opositores, censurar a imprensa e manipular processos eleitorais.
O tempo, porém, costuma expor incoerências. Enquanto lideranças chavistas celebravam acontecimentos no Brasil como vitórias ideológicas, a Venezuela seguia afundada em escassez, migração em massa e repressão política. O gesto de ironia acabou se transformando em símbolo de desconexão com a realidade.
No Brasil, o cenário também revelou que vitórias políticas não significam estabilidade automática. A polarização se aprofundou, as promessas de pacificação institucional não se concretizaram e novas tensões passaram a dominar o debate público. Aquilo que foi exaltado como “liberdade” passou a ser questionado por muitos como seletividade política e uso estratégico das instituições.
É aí que o efeito bumerangue se materializa: ao ironizar a derrota de Bolsonaro e celebrar Lula como símbolo de libertação, Delcy Rodríguez e o regime que representa acabaram reforçando a imagem de uma esquerda latino-americana que aponta falhas externas, mas evita encarar seus próprios fracassos.
Na política, a coerência cobra seu preço. Quem ri da derrota alheia, especialmente quando governa sobre ruínas, corre o risco de ver o riso voltar em forma de constrangimento. O bumerangue sempre retorna, e quase nunca de forma leve.
(*) Redação TMNews do Vale
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