O dia 8 de janeiro segue como uma ferida aberta no debate político brasileiro. Transformado em símbolo, ele passou a ser apropriado de maneiras opostas pelos dois principais campos ideológicos do país. De um lado, setores da esquerda promovem atos em tom de “homenagem” e defesa da democracia; do outro, a direita reage com protestos, denunciando o que chama de exploração política e narrativa seletiva dos fatos.
Para a esquerda, o 8 de janeiro representa um marco de resistência institucional. Os atos são apresentados como lembrança necessária de que a democracia deve ser protegida contra ameaças autoritárias. Discursos enfatizam a defesa das instituições, a responsabilização dos envolvidos e a necessidade de manter viva a memória do episódio para evitar retrocessos.
Já a direita enxerga esses eventos como comemorações indevidas de uma tragédia institucional. Argumenta que o episódio vem sendo usado para justificar perseguições políticas, silenciar opositores e reforçar uma versão única dos acontecimentos. Para esse grupo, o 8 de janeiro virou instrumento de propaganda, mais útil à polarização do que à pacificação nacional.
O que se vê é indignação diante do que consideram uma exploração política da tragédia. Parlamentares, lideranças e manifestantes acusam o governo e seus aliados de usar o 8 de janeiro como palanque ideológico, silenciando debates sobre excessos judiciais, prisões prolongadas, violações de garantias individuais e a ausência de responsabilização equilibrada. Para esse grupo, a data vem sendo transformada em ferramenta de intimidação política e não em um momento de justiça imparcial.
O contraste é evidente: enquanto uns sobem ao palco para reafirmar narrativas, outros ocupam as ruas para contestá-las. O resultado é um país que, em vez de buscar consenso sobre os limites da lei, da responsabilidade individual e do respeito às instituições, aprofunda divisões.
No fim, o 8 de janeiro deixa de ser apenas uma data e se torna um espelho do Brasil atual, fragmentado, tensionado e preso a disputas simbólicas. Uma democracia que ainda busca equilíbrio, mas que continua sendo disputada no grito, na rua e no discurso, sem consenso, sem trégua e sem sinais claros de pacificação.
Entre homenagens e protestos, o que ainda falta é um debate maduro que transforme o episódio em aprendizado coletivo, e não em combustível permanente para a polarização política.
(*) Professor, analista politico e redator chefe do TMNews do Vale
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