Entre o discurso e a prática, alianças ambíguas minam a credibilidade da oposição e perpetuam o mesmo sistema de poder
Uma parcela da chamada direita baiana age de forma claramente incoerente. Diz querer a Bahia fora da hegemonia do PT, mas, na prática, apoia prefeitos, candidatos e projetos alinhados à esquerda. É um contrassenso evidente: não há como derrotar um grupo político fortalecendo, ao mesmo tempo, a sua base local e a sua estrutura de poder. Esse fenômeno não se limita ao plano estadual; repete-se em municípios estratégicos, como Juazeiro, onde o discurso oposicionista se dissolve diante de acordos de ocasião. Ambiguidades que custam caro.
Esse comportamento enfraquece o discurso oposicionista e confunde o eleitorado. A política, goste-se ou não, é feita de escolhas. E escolhas exigem coerência. Não se serve a dois projetos antagônicos sem pagar um preço, o da perda de credibilidade. Quem milita ou sustenta a esquerda, ainda que indiretamente, contribui para a permanência do mesmo sistema que afirma combater. É incoerente.
Ao tentar agradar a todos, essa “direita de conveniência” acaba não representando ninguém. O eleitor percebe quando há jogo duplo, quando o palanque é um e a prática é outra. O resultado é a desmobilização da base, o ceticismo do cidadão comum e o fortalecimento do adversário político, que agradece a ajuda involuntária.
Se a proposta é, de fato, romper com um projeto que governa a Bahia há décadas, é preciso abandonar as ambiguidades. Não é possível servir bem a dois senhores. A oposição que se pretende alternativa precisa ser clara, firme e consequente. Do contrário, continuará sendo apenas coadjuvante de um enredo que finge combater, mas que, na prática, ajuda a manter.
(*) Professor e analista político
Não
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