Por: Taciano Medrado*
A política mundial atravessa um dos períodos mais tóxicos das últimas décadas. O radicalismo, travestido de militância ideológica, tem substituído o debate por ameaças, a razão por ódio, e a democracia por projetos de poder que não admitem adversários. Nesse ambiente inflamado, qualquer liderança que confronte interesses de grupos extremistas passa a ser tratada não como oponente, mas como inimigo a ser eliminado, ainda que simbolicamente, moralmente ou, no pior dos cenários, fisicamente.
Donald Trump, goste-se ou não dele, tornou-se um símbolo desse confronto. Ao desafiar agendas consolidadas, denunciar estruturas globais de poder e afrontar narrativas hegemônicas, o ex-presidente dos Estados Unidos passou a ocupar o centro da fúria de setores ideológicos que historicamente relativizam a violência quando ela serve aos seus propósitos. Para esses grupos, o discurso de “luta” e “resistência” muitas vezes flerta perigosamente com a desumanização do adversário.
É justamente aí que mora o risco. Quando líderes são demonizados diariamente, quando a retórica política passa a normalizar o ódio e quando o extremismo é romantizado, cria-se o terreno fértil para ações irresponsáveis e atentatórias. A história é pródiga em mostrar que regimes e movimentos autoritários começam deslegitimando a palavra e terminam tentando silenciar o corpo.
Não se trata de alarmismo, mas de um alerta necessário. A violência política, venha de onde vier, deve ser condenada sem relativizações. Nenhuma ideologia, seja de esquerda ou de direita, tem o direito de colocar vidas em risco em nome de um projeto de poder. A democracia só sobrevive quando o embate é de ideias, não de ataques.
Cuidar da integridade física de líderes e adversários políticos não é um favor pessoal, é uma obrigação civilizatória. Quando o ódio vence, todos perdem. E quando a violência é tolerada contra um, ela cedo ou tarde se volta contra todos.
(*) Professor e analista político
Não
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