Por: Taciano Medrado*
Olá caríssimos,
Não acredito em uma virgula nessa "bondade" toda por parte do governo interino da Venezuela. O anúncio da libertação de um número “significativo” de presos políticos pela Venezuela, e a prontidão com que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enalteceu essa ação como um sinal de paz, merece uma análise crítica e contextualizada.
“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta sexta-feira (9) a libertação de prisioneiros políticos pelo governo interino da Venezuela, que chamou de ‘um sinal de paz’.
Trump disse também que a cooperação da gestão da nova presidente, Delcy Rodríguez, fez ele cancelar uma 2ª onda de ataques que faria ao país. Na 1ª onda, no último final de semana, o Exército dos EUA entrou em Caracas em uma operação militar pontual para prender Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ao todo, 100 pessoas morreram, segundo o governo venezuelano.”
O gesto de libertar opositores e ativistas prisioneiros, alguns já há anos em prisões tidas como símbolos da repressão chavista, poderia ser visto, à primeira vista, como um avanço humanitário. No entanto, o contexto em que isso ocorre é crucial para entender as verdadeiras intenções estratégicas em jogo.
Uma libertação com cheiro de estratégia geopolítica
Primeiro, é preciso lembrar que a libertação acontece dias após uma operação militar conduzida pelos EUA em solo venezuelano, que deteve o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, levando-os a julgamento em território norte-americano. Essa ação gerou uma crise institucional e humanitária com dezenas de mortos, segundo relatos do governo venezuelano e diversas fontes internacionais.
A libertação dos presos parece, então, menos um ato espontâneo de conciliação e mais uma resposta às pressões externas, em especial de Washington, para demonstrar uma governança “responsiva” que justifique a nova ordem política imposta. Autoridades americanas chegaram a afirmar que as liberações ocorreram “a pedido dos EUA”.
Delcy Rodríguez: governante ou agente de um plano externo?
Delcy Rodríguez, que assume temporariamente o comando do país, é historicamente uma figura ligada ao chavismo e ao legado político de Maduro. A sua postura simultaneamente conciliatória com os EUA e continuista em outras áreas levanta questões sobre autonomia e coerência política.
A rapidez com que a Casa Branca elogiou o gesto sugere que a libertação foi mais um elemento de cálculo estratégico internacional do que uma decisão soberana venezuelana. A operação militar que levou à captura de Maduro e à ascensão de Rodríguez , oficialmente como presidente interina, já vinha sendo descrita por analistas como parte de um plano para realinhar a política interna e os recursos naturais do país ao interesse norte-americano.
Um Cavalo de Troia na política hemisférica
O título “Cavalo de Troia venezuelano” não é uma metáfora exagerada diante da rapidez com que um ato de aparente bondade foi convertido em capitulação diplomática e geopolítica. Para os EUA, a libertação dos presos não apenas serve como narrativa de legitimidade, mas também como pretexto para retirar a justificativa de conflitos diretos ainda mais amplos, como a anunciada “segunda onda de ataques” que, segundo Trump, foi cancelada.
Assim, o gesto que poderia parecer uma vitória de direitos humanos corre o risco de ser cooptado como instrumento de legitimação de uma intervenção externa, trazendo no bojo implicações perigosas para a soberania venezuelana e o equilíbrio de poder na região.
(*) Professor, analista político e redator-chefe do TMNews do Vale
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