Caso Master – STF brasileiro em rota de colisão



Por Taciano Medrado*


O Supremo Tribunal Federal vive um de seus momentos mais delicados dos últimos anos. O chamado caso Master deixou de ser apenas um inquérito sensível para se transformar em um fator permanente de desgaste institucional, aprofundando fissuras internas e ampliando a desconfiança da sociedade em relação à Corte.

Segundo o jornalista Valdo Cruz, do G1, o ambiente interno do STF segue marcado por forte tensão diante do avanço das investigações. Ministros e investigadores avaliam que o tribunal continuará sob pressão enquanto o ministro Dias Toffoli permanecer como relator do inquérito. O temor não se limita ao que já veio a público: há o receio concreto de que novos fatos negativos surjam ao longo do processo, ampliando ainda mais a crise.

A percepção predominante dentro do próprio Supremo é alarmante: a crise não tem solução imediata. Não há consenso interno, não há saída política simples e, sobretudo, não há como dissociar o caso do debate maior sobre credibilidade, transparência e limites de atuação da Corte. O STF, que deveria funcionar como instância máxima de equilíbrio institucional, passa a ser visto como parte ativa do conflito.

O problema se agrava porque o desgaste não fica restrito aos corredores do tribunal. Cada novo capítulo do caso Master repercute diretamente na opinião pública, alimentando a sensação de que o Supremo opera sob critérios pouco claros, personalistas e, em alguns momentos, desconectados do sentimento social. A manutenção de Toffoli na relatoria, nesse contexto, deixa de ser apenas uma decisão processual e passa a ter impacto político e institucional direto.

O STF parece, assim, caminhar em rota de colisão: de um lado, a necessidade de preservar sua autoridade; de outro, a incapacidade de oferecer respostas rápidas e convincentes à sociedade. Enquanto isso, a crise se prolonga, corrói a imagem da Corte e reforça a percepção de que o Supremo enfrenta hoje não apenas um caso complexo, mas um grave teste de legitimidade.

Se nada mudar, o risco é claro: o caso Master pode entrar para a história não apenas como mais um escândalo judicial, mas como símbolo de um período em que o STF deixou de ser árbitro para se tornar protagonista de suas próprias contradições.

(*) Professor,  analista político e redator chefe do TMNews do Vale 

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