ARTIGO: A comunicação decolonial e seu papel estratégico nas eleições de 2026




Por: Taciano Medrado*

Olá caríssimos,

Voces já ouviram falar em comunicação decolonial? se não, leiam esse meu artigo e irá entender.

A chamada comunicação decolonial surge como uma resposta crítica aos modelos tradicionais de produção de discurso político, historicamente moldados por uma lógica eurocêntrica, elitista e excludente. Ao questionar quem fala, a partir de onde fala e para quem fala, essa abordagem propõe romper com narrativas impostas que, ao longo do tempo, silenciaram vozes periféricas, saberes populares e identidades historicamente marginalizadas.

Nas eleições de 2026, a comunicação decolonial tende a ocupar um papel estratégico e, ao mesmo tempo, desafiador. 

Em um cenário marcado pela saturação de discursos prontos, marketing político artificial e narrativas distantes da realidade concreta da maioria da população, a proposta decolonial recoloca o povo no centro do processo comunicacional. Não se trata apenas de falar sobre as comunidades, mas de falar com elas e, sobretudo, permitir que falem por si.

Aplicar a comunicação decolonial no processo eleitoral significa abandonar a linguagem pasteurizada dos manuais de campanha e assumir uma comunicação enraizada no território, na cultura local, na memória coletiva e nas experiências reais de quem vive os problemas cotidianos. É reconhecer que o Brasil não é homogêneo e que as soluções políticas não podem ser comunicadas a partir de um único ponto de vista dominante.

Nas eleições de 2026, candidatos que adotarem essa perspectiva precisarão compreender que comunicação não é apenas ferramenta de persuasão, mas um ato político em si. Isso implica escuta ativa, diálogo horizontal e respeito aos saberes tradicionais, às expressões culturais regionais e às formas próprias de organização social. A estética, a linguagem e os símbolos da campanha também passam a ter um papel fundamental, pois comunicam pertencimento ou exclusão.

A comunicação decolonial também confronta a lógica de poder concentrado nas grandes plataformas e nos grandes veículos, apostando no fortalecimento das mídias comunitárias, alternativas e digitais, capazes de furar bolhas e criar vínculos reais com a população. Nesse sentido, mais do que alcance, importa a conexão; mais do que slogans, importa a coerência entre discurso e prática.

Em 2026, diante de um eleitorado cada vez mais crítico e desconfiado, a comunicação decolonial pode ser um diferencial decisivo. Não como modismo ou estratégia oportunista, mas como um compromisso político e ético com a democratização da palavra, da representação e do próprio processo eleitoral. 

Por fim, Quem insistir em comunicar de cima para baixo, ignorando as complexidades sociais e culturais do país, corre o risco de falar muito e ser pouco ouvido.

(*) Professor e analista político

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