Universidade Federal da Bahia (Ufba) por Marina Silva/CORREIO
Por mais de uma década, cerca de 400 trabalhadores terceirizados atuaram nos serviços de limpeza e manutenção da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Todos eram vinculados à empresa Liderança Limpeza e Conservação Ltda.
A partir do próximo domingo (11), contudo, eles devem deixar seus postos, em meio a um fim de contrato conturbado e com denúncias de assédio moral.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Terceirizados, dos Trabalhadores da Limpeza Urbana e do Asseio e Conservação de Salvador, Maurício Roxo, foi firmado um acordo entre as partes para que os funcionários recebessem apenas 20% da multa do FGTS, embora a solicitação inicial fosse que todas as obrigações trabalhistas fossem pagas. O contrato da Ufba com a nova empresa prevê a contratação dos terceirizados da Liderança sem descontinuidade da prestação dos serviços. Para a instituição, isso evitaria a perda da memória técnica e expertise da execução do trabalho.
"No princípio, a empresa disse que não demitiria os trabalhadores e que os absorveria em outros contratos. Disseram que caso alguém não quisesse fazer parte, teria que pedir demissão ou fazer transferências consideradas absurdas, como postos muito distantes de suas residências ou até para outros municípios. Mas os trabalhadores queriam ser demitidos para serem incorporados pela nova empresa", explica Maurício Roxo.
Em dezembro, a Ufba divulgou que havia notificado a Liderança por ter descumprido acordos firmados em contrato e disse estar havendo uma substituição "intempestiva" dos funcionários. "O clima é ruim, havendo relatos de que a Liderança estaria coagindo funcionários a pedirem demissão para evitar o pagamento de verbas rescisórias", informou a universidade, na ocasião.
Segundo Roxo, cerca de 90% dos funcionários assinaram o acordo e estão sendo absorvidos pela nova empresa, chamada Jutze. "É uma vergonha ter esses relatos, mas nós buscamos alternativas. Somente a Liderança atuava em todos os campi da Ufba, em todas as áreas.
O contrato da Liderança com a Ufba foi sendo renovado por meio de aditivos nos últimos anos, até perder a licitação. "São trabalhadores terceirizados. Essa é a parte mais fraca e eles temem que possam sofrer alguma retaliação", acrescenta o presidente do sindicato.
Em uma nota divulgada no mês passado, a Ufba reforçou que os trabalhadores que estão há mais tempo na instituição têm conhecimentos necessários e específicos dessas rotinas. “Substituí-los, de forma abrupta, ou transferi-los compromete a execução dos serviços e a segurança sanitária e operacional da instituição”.
Segundo o Correio, a reportagem não localizou representes da Liderança, mas o espaço segue aberto para manifestação da empresa.
Fonte: Correio 24 horas
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