Ano eleitoral desperta súbita “vocação itinerante” dos deputados da Bahia

                      
Por: Taciano Medrado*

Depois de três anos de inércia e silêncio nos gabinetes climatizados, parlamentares estaduais e federais reaparecem em romarias políticas atrás de fotos, abraços e votos

Como num passe de mágica, o calendário eleitoral voltou a operar seus efeitos milagrosos sobre a política baiana. Deputados estaduais e federais que passaram quase três anos invisíveis, confinados ao conforto dos gabinetes, às redes sociais protocolares e às agendas seletivas, agora redescobriram o povo, as estradas esburacadas, as feiras livres e os eventos comunitários.

O fenômeno é velho conhecido do eleitor mais atento: basta o ano eleitoral bater à porta para que parlamentares, antes mudos e ausentes, passem a peregrinar pelo interior do estado em uma verdadeira maratona de selfies, apertos de mão e discursos ensaiados. O problema é que essa súbita “vocação popular” não vem acompanhada, na maioria das vezes, de prestação de contas, projetos relevantes ou atuação firme em defesa dos interesses da Bahia.

Durante o mandato, faltaram presença, cobrança e resultados concretos. Em Brasília e na Assembleia Legislativa, muitos se limitaram a seguir orientações partidárias, garantir cargos para aliados e manter a máquina política funcionando apenas para os de sempre. Agora, tentam compensar a ausência com visitas relâmpago, promessas recicladas e fotos estrategicamente postadas nas redes sociais, como se a imagem substituísse o trabalho que não foi feito.

O eleitor baiano precisa ficar atento. Mandato não é favor, é obrigação. E representação política não se resume a aparecer de quatro em quatro anos com sorrisos forçados e discursos genéricos. A democracia se enfraquece quando a política vira encenação e o voto é tratado como mero detalhe de uma campanha bem produzida.

Que este ano eleitoral sirva não apenas para a romaria dos oportunistas, mas para uma reflexão séria do cidadão: quem esteve presente quando não havia câmeras? Quem trabalhou quando não era tempo de pedir voto? A resposta a essas perguntas vale mais do que qualquer foto bem enquadrada.

(*) Redação do TMNews do Vale 

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