A morte é, talvez, a experiência mais democrática da vida. Ela não distingue cargos, fama ou anonimato. Diante dela, todos somos colocados no mesmo nível, livres de títulos e vaidades. Pensar na morte não é morbidez, mas lucidez. O gesto de um prefeito ao dar o nome da babá que o criou a uma escola revela essa verdade simples: a grandeza real está nas pessoas anônimas que amam, cuidam e sustentam vidas sem jamais aparecer na história oficial..
Somos fruto de muitos anônimos. Pessoas simples que cumpriram sua missão sem esperar aplausos. Jesus resumiu essa missão de forma direta: amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Quando a vida gira em torno desse eixo, o reconhecimento deixa de ser uma busca e se torna apenas algo secundário. Agostinho de Hipona lembrava que o coração humano só descansa quando repousa em Deus, pois nada externo é capaz de preencher o vazio que só o amor vivido pode alcançar.
Assumir a morte como paradigma é trazer o pensamento para o essencial. Um paradigma é um modo de interpretar a realidade. Quando somos feridos por palavras ou atitudes, lembrar que todos somos finitos muda o peso das coisas. Quem feriu morrerá. Nós também. Vale a pena carregar ressentimentos que adoecem a alma? Sêneca dizia que sofremos mais pela forma como interpretamos os fatos do que pelos fatos em si. A morte nos ajuda a interpretar melhor a vida.
As relações humanas são frágeis. Pessoas mudam, alianças se desfazem, amizades se perdem e palavras machucam profundamente. Algumas dores não sangram, mas permanecem na alma por anos. A Bíblia reconhece isso ao afirmar que a palavra dura desperta o furor. Não é fácil lidar com tais feridas. Ainda assim, existe uma escolha silenciosa. Ou morremos para o ressentimento e amadurecemos por dentro, ou nos tornamos reféns da mágoa. Viktor Frankl lembrava que a maior liberdade humana é escolher como responder ao sofrimento.
Adotar o paradigma da morte é aprender a perdoar antes do fim. Não é negar o erro, mas libertar-se do peso que ele impõe. A fé cristã ensina que a morte não é um ponto final, mas passagem e recomeço. Por isso, ela pode ser conselheira da vida. A morte nos nivela a todos, mas é o amor que nos torna eternos.
Teobaldo Pedro
Juazeiro-BA
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