Quem vibra e zomba com a desgraça alheia um dia, cedo ou tarde, a lei do retorno vai ser implacável
Por: Taciano Medrado*
Há momentos em que o debate político ultrapassa qualquer limite ético e humano. Quando a dor, a queda ou o adoecimento de alguém, ainda que adversário político, passa a ser tratado com ironia, riso ou deboche, o problema deixa de ser ideológico e passa a ser moral.
A recente repercussão em torno da queda do ex-presidente Jair Bolsonaro na cela que ocupa na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, expôs exatamente isso. Segundo informações divulgadas pela defesa, Bolsonaro apresentou sinais de traumatismo cranioencefálico leve, conforme documento médico. Um fato de saúde, que deveria ser tratado com sobriedade, acabou sendo transformado em combustível para escárnio público.
Vice-líder do governo Lula na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT-MG) manifestou-se nas redes sociais desejando “melhoras” ao ex-presidente, mas emendou a mensagem com uma declaração que muitos consideraram carregada de ironia política.
“Jair Bolsonaro caiu da cama e bateu a cabeça em um móvel e, segundo sua esposa, não está bem. Desejo melhoras ao Sr. Jair e que possa cumprir a pena pelos crimes cometidos da melhor forma possível e se arrepender, voltando a conviver pacífica e democraticamente com a sociedade”, escreveu o parlamentar.
A situação ganhou contornos ainda mais delicados após comentários feitos por Daniela Lima, jornalista do UOL, durante um programa da emissora. Ao abordar o episódio, a jornalista questionou, em tom irônico, quem teria caído da cama e, em seguida, reforçou o comentário perguntando quem teria sofrido um traumatismo craniano leve. As falas foram acompanhadas por risadas no estúdio, o que provocou forte reação nas redes sociais.
Independentemente de simpatias ou antipatias políticas, há uma linha tênue que separa a crítica legítima da desumanização. Zombar de um episódio envolvendo a saúde de uma pessoa não fortalece argumentos, não eleva o debate e não engrandece o jornalismo, apenas revela insensibilidade.
A frase bíblica que inspira este editorial não é um pedido de absolvição, mas um alerta: “Perdoa, Deus, ela não sabe o que diz”. Quem ri da desgraça alheia, quem transforma dor em piada, contribui para um ambiente público cada vez mais tóxico, onde a empatia é vista como fraqueza e o deboche como virtude.
A vida, no entanto, tem uma pedagogia própria. A chamada lei do retorno não falha: aquilo que se planta em forma de escárnio, arrogância e desprezo tende a retornar, cedo ou tarde, na mesma medida. Hoje, o alvo é um; amanhã, pode ser qualquer outro.
O jornalismo e a política deveriam ser instrumentos de esclarecimento e responsabilidade. Quando se afastam disso, restam apenas o ruído, a intolerância e a perda completa do senso de humanidade.
Por fim, espero que essa militante esquerdista, travestida de jornalista, lembre que todos nós temos tem parentes, mãe, pai, filhos , irmãos, tios, tias, e que a dor que dói nos outros um dia poderá vir a doer em nós, e que tripudiar da dor alheia é no mínimo um ato de crueldade e de ausência de Deus no coração (se não for comunista).
(*) Professor, analista político, psicopedagogo e redator chefe do TMNews do Vale
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