Secretário de Reformas Econômicas de Haddad pula fora do barco a pique do governo Lula 3
Olá carissimos,
Tenho dito reiterada vezes, o império do Lulopetismo está ruindo, pois o que começa mal tende a terminar mal. A saída do secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda não é um fato isolado, tampouco um mero ajuste administrativo. É o primeiro sinal concreto de que o castelo de cartas montado por Fernando Haddad começa a ruir por dentro. Quando um dos principais formuladores da agenda econômica abandona o barco, o recado é direto e incômodo: não há rumo, não há respaldo político e, sobretudo, não há confiança.
O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, foi exonerado do cargo nesta segunda-feira (5). A saída, a pedido, foi publicada no Diário Oficial da União. A exoneração apenas oficializa um desgaste que já era público. A própria saída de Marcos Pinto havia sido antecipada pelo ministro Fernando Haddad ainda em novembro, o que demonstra que o problema não é pontual, mas estrutural.
À frente da Secretaria de Reformas Econômicas, Marcos Pinto era o responsável pela chamada agenda microeconômica do governo, um conjunto de ações estratégicas que incluía a revisão de benefícios fiscais, a modernização de marcos regulatórios, propostas de tributação sobre renda de capital, a agenda de crédito, a infraestrutura financeira e mudanças no mercado de capitais. Em outras palavras: era um dos poucos núcleos técnicos que ainda tentavam dar alguma racionalidade à política econômica do governo Lula 3.
O detalhe revelador é que, no momento da exoneração, não há substituto indicado. Fernando Haddad, por sua vez, está de férias. O simbolismo é devastador: enquanto a economia enfrenta incertezas e sinais claros de desconfiança, o comando da Fazenda se mostra ausente, desarticulado e incapaz de oferecer respostas rápidas e claras.
E a debandada não para por aí. Além de Marcos Pinto, o economista Bernard Appy também deixou o Ministério da Fazenda. Appy comandava a extinta Secretaria Especial de Reforma Tributária e foi o principal formulador da ampla reforma do sistema de consumo aprovada em 2023 — vendida como o grande troféu econômico do governo. Com sua saída, cai por terra o discurso de continuidade técnica e estabilidade institucional.
O Ministério da Fazenda virou refém de um governo que fala em responsabilidade fiscal, mas governa sob a lógica do improviso. Promete equilíbrio, enquanto flerta com a gastança. Discursa sobre reformas estruturais, mas entrega remendos frágeis, negociados a portas fechadas com um Congresso fisiológico e insaciável. Nesse ambiente tóxico, técnicos qualificados passam a servir apenas como escudos retóricos de decisões essencialmente políticas.
A debandada escancara também o isolamento de Haddad dentro do próprio governo. O ministro tenta se apresentar como a “âncora da racionalidade”, mas é desautorizado diariamente pelo Planalto, que prefere agradar à base ideológica e às narrativas do passado a enfrentar a realidade econômica do presente. O resultado é um ministério enfraquecido, sem autoridade e cada vez mais esvaziado de quadros técnicos.
Não se trata apenas de exonerações. Trata-se de um alerta vermelho. Quando os formuladores começam a sair, o mercado percebe, os investidores recuam e a conta, como sempre, sobra para o povo. Inflação persistente, crescimento anêmico e insegurança fiscal não são acidentes de percurso: são consequências diretas de um governo que insiste em escolher o populismo em vez da responsabilidade.
A pergunta que fica é simples, direta e incômoda: quantos ainda precisarão sair antes que o governo admita que sua política econômica fracassou? A debandada já começou. E tudo indica que está longe do fim.
(*) Professor, analista político e econômico e redator chefe do TMNews do Vale
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