A canetada da vingança e do rancor


A vingança é um prato que se come frio

(*) Taciano Medrado*


A decisão do vingativo  Lula de vetar integralmente o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, vai muito além de um simples ato administrativo. Trata-se de uma escolha política carregada de simbolismo, ressentimento e cálculo ideológico. 

A chamada “canetada” presidencial não busca pacificar o país nem promover justiça equilibrada; ao contrário, reforça a lógica da vingança e aprofunda ainda mais o fosso da polarização nacional.

Lula vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto previa a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado. O anúncio do veto foi feito durante um ato no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores de Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições, que invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O cenário e o momento escolhidos para o anúncio não foram casuais. Ao transformar o veto em um gesto político público, em meio a um evento carregado de narrativa simbólica, o presidente deixou claro que sua decisão atende mais ao discurso militante do que a uma análise serena do mérito jurídico do projeto. O PL da Dosimetria não absolvia crimes, não apagava responsabilidades e tampouco relativizava os atos ocorridos. Buscava, sim, corrigir excessos, individualizar condutas e evitar penas desproporcionais — princípios basilares de qualquer Estado Democrático de Direito.

Ao ignorar esse debate e desconsiderar a vontade do Congresso Nacional, Lula opta por governar com o fígado, mantendo viva a retórica do “nós contra eles”. A justiça passa a ser instrumento de afirmação política, e não de equilíbrio institucional. A mensagem enviada é clara: para uns, rigor absoluto; para outros, complacência seletiva, a depender do alinhamento ideológico.

A “canetada” presidencial, portanto, não é apenas um veto. É um recado. Um recado de que a reconciliação nacional prometida na campanha ficou pelo caminho, substituída por decisões que alimentam rancor, aprofundam divisões e transformam o sistema de justiça em palco de disputas políticas. O Brasil, que tanto precisa de serenidade, diálogo e reconstrução institucional, assiste a mais um capítulo em que o revanchismo fala mais alto que o compromisso com a verdadeira pacificação do país.

(*) Redator chefe do TMNews do Vale 

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