O governo Lula 3 tenta vender como vitória diplomática aquilo que, na prática, soa mais como um lembrete duro e constrangedor vindo de Washington: compromissos assumidos precisam ser cumpridos. Não se trata de protagonismo internacional, nem de reconhecimento estratégico do Brasil no tabuleiro global, mas de uma cobrança direta, quase uma ordem — do governo Trump, que voltou a deixar claro quem dita o ritmo quando interesses econômicos e geopolíticos entram em cena.
O próprio governo dos Estados Unidos se manifestou após a retirada do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e de sua esposa da lista de sanções da Lei Global Magnitsky, deixando explícito que a decisão não encerra as cobranças feitas ao Brasil. A mensagem sintetizada na expressão “cumpram os compromissos” foi transmitida por Martin De Luca, advogado ligado à Trump Media e à plataforma Rumble, falando em nome de interesses alinhados ao atual governo norte-americano. Segundo ele, a retirada das sanções não deve ser interpretada como um recuo definitivo, mas como parte de um processo diplomático cuidadosamente monitorado.
De Luca foi claro ao afirmar que as medidas adotadas anteriormente tiveram caráter de pressão e que Washington espera que as autoridades brasileiras cumpram compromissos assumidos durante negociações recentes. O recado reforça que, na visão do governo dos Estados Unidos, a revogação das sanções está diretamente vinculada à expectativa de mudanças e ajustes por parte do Brasil, especialmente em temas sensíveis tratados no diálogo bilateral. Autoridades americanas indicam, inclusive, que o acompanhamento desses compromissos continuará e que a relação entre os dois países seguirá condicionada ao cumprimento do que foi acordado. Ou seja, o tema permanece no radar diplomático e político, apesar da suspensão momentânea das sanções.
A narrativa oficial brasileira tenta dourar a pílula, apresentando o episódio como avanço histórico. No entanto, por trás dos discursos ensaiados e das notas otimistas do Itamaraty, o que se percebe é um governo acuado, pressionado a alinhar práticas, posições e entregas que já haviam sido prometidas em mesas de negociação anteriores. Não há ganho estrutural, não há conquista soberana. Há apenas a confirmação de que o Brasil, mais uma vez, reage em vez de agir.
Essa “vitória” é efêmera porque não nasce de força política ou autonomia estratégica, mas da necessidade de evitar sanções, desgastes comerciais ou isolamento internacional. Quando um governo estrangeiro precisa lembrar publicamente outro de seus compromissos, o recado é inequívoco: a confiança está em xeque. E, na diplomacia, confiança vale mais do que qualquer discurso inflamado para plateias internas.
O problema central do Lula 3 é insistir em sustentar uma política externa ideologizada em um mundo que opera por interesses concretos. Fala-se em multipolaridade, mas pratica-se dependência. Fala-se em soberania, mas aceita-se enquadramento. Fala-se em liderança regional, mas falta previsibilidade econômica e institucional para sustentar tal ambição.
No fim das contas, o episódio escancara uma realidade incômoda: o Brasil não venceu; foi cobrado. E atendeu. O resto é retórica para consumo interno, enquanto, nos bastidores do poder global, a mensagem foi direta, objetiva e pouco diplomática: cumpram os compromissos.
(*) Professor e Analista político
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