Um ministro e a sua síndrome ou paranoia da fuga


Quando a medicina esbarra na paranoia  e na desconfiança de um magistrado da Suprema Corte 

Por: Taciano Medrado

Olá caríssimos 

Que me perdoe o magistrado, mas não posso usar outro adjetivo a não ser "paranoia" para as decisões do Ministro 3Os (Onipotente, Onisciente e Onipresente)  do STF.  

No mais novo capítulo da novela jurídica que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro  3Os, volta ao centro da arena. Não por acaso: a defesa do ex-chefe do Executivo solicitou autorização para que ele seja submetido a uma cirurgia, e imediatamente um sinal amarelo acendeu no Supremo. O motivo? O velho temor de sempre, o risco de fuga.

Segundo apuração da CNN Brasil, Moraes avalia determinar uma perícia médica independente para verificar a real necessidade do procedimento solicitado pela defesa. A intenção é clara: obter uma avaliação isenta que possa embasar sua decisão e impedir que um eventual atestado vire salvo-conduto para uma manobra. A análise da jornalista Luísa Martins, no CNN Novo Dia, vai direto ao ponto:

Moraes, relator da investigação e responsável pela execução da pena do ex-presidente, tem estado em um modo alerta total.”

Não é novidade que o ministro acompanha o caso com extrema vigilância,  e, para muitos, com razão. A história recente do país já mostrou que pedidos médicos podem surgir em momentos muito convenientes para figuras políticas que enfrentam a Justiça. Assim, a exigência de uma perícia independente não só é prudente, como também escancara a desconfiança que paira sobre Bolsonaro. “Isso sinaliza essa desconfiança por parte do ministro”, reforça Martins.

A preocupação de Moraes, segundo a CNN, é objetiva: o risco de fuga de Bolsonaro. E aqui nasce o que este editorial chama de síndrome ou paranoia  da fuga: um estado permanente de suspeição que passou a acompanhar o ex-presidente desde que seu círculo mais próximo começou a cair um a um, preso ou investigado, e desde que seu próprio discurso flerta com expatriar-se sempre que o cerco aperta.

Se há exagero ou prudência na postura do ministro, a história julgará. Mas o fato é que, enquanto a política se mistura com laudos médicos, o Brasil testemunha mais um episódio onde a confiança entre instituições e atores políticos parece um bem cada vez mais raro. 

O STF, mais uma vez, opera na fronteira entre Justiça e crise,  e Bolsonaro, como sempre, segue sendo o protagonista involuntário de um enredo que insiste em não terminar. Talvez só quando uma tragedia acontecer. 

Vamos  esperar para ver  que desculpas o responsável por ignorar um estado de saúde grave  vai dá para o povo brasileiro e do mundo. 

(*) Professor e analista político

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