Por Taciano Medrado*
Olá Caríssimos,
No tabuleiro complexo da política brasileira, algumas peças parecem se mover por impulso próprio, ou por uma conveniente “sincronia” dos fatos. O ministro André Mendonça, do STF, decidiu finalmente destravar um inquérito contra o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que estava engavetado há cerca de dois anos. A coincidência? A retomada ocorre justamente no momento em que Paulinho assume protagonismo como relator do PL da Dosimetria, defendido com entusiasmo por determinados setores do Congresso.
Segundo publicação da CNN Brasil, Mendonça determinou na terça-feira (9) que a PGR se manifeste sobre o caso, tirando o processo do limbo institucional em que se encontrava. Não deixa de ser curioso que uma investigação parada desde 2023 “ganhe vida” às vésperas de votações decisivas envolvendo réus dos atos de 8 de janeiro, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro, potencial beneficiário do projeto relatado pelo próprio Paulinho.
O inquérito, que se arrasta desde uma notícia-crime apresentada em 2018, apura o suposto envolvimento do deputado em um esquema de captação ilícita de clientes para ações trabalhistas. O método? A venda de listas de trabalhadores demitidos, obtidas por sua influência em sindicatos ligados à Força Sindical. O pacote incluía, segundo o MP-SP, contratos firmados com advogados e a cobrança mensal de R$ 10 mil. Uma engrenagem bem montada, caso tudo se confirme.
Entre idas e vindas políticas, Paulinho perdeu o mandato, recuperou o foro ao retornar como suplente após a cassação de Marcelo Lima e, ainda assim, viu o inquérito permanecer imóvel no STF. Nem mesmo um pedido da Polícia Federal, em 2023, para que se definisse o destino do processo, se ficaria na Corte ou se desceria para a primeira instância, foi suficiente para movimentar a máquina.
Somente agora, após novo ofício da PF cobrado no mês passado, é que Mendonça resolveu agir. A pergunta que paira no ar é inevitável: por que agora? O que fez o ministro do STF, conhecido por decisões prudentes e ritmos próprios, lembrar-se de um caso que hibernava há tanto tempo?
O episódio deixa à mostra mais uma ponta solta do nosso sistema de Justiça, que ora corre, ora para, ora age com precisão cirúrgica conforme os ventos de Brasília mudam de direção. Para um país que tanto precisa de previsibilidade, transparência e celeridade institucional, a reativação tardia desse inquérito acende uma luz incômoda sobre a relação entre política e Judiciário.
Enquanto isso, Paulinho da Força segue no duplo papel: relator combativo no Congresso e investigado ressuscitado no Supremo. O Brasil, como sempre, observa, tentando entender se essa movimentação tardia é sinal de rigor ou apenas mais um capítulo da velha coreografia entre poder, conveniência e oportunidade.
(*) Redação TMNews do Vale
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