Num país que já viu de tudo, menos ministro de tribunal superior preso, os sinais mostram que a paciência da sociedade está chegando ao limite
Por: Taciano Medrado*
Olá caríssimos,
O Brasil é um país de paradoxos institucionais. Já tivemos presidente preso, ministro preso, senador preso, deputado preso, governador preso, prefeito e vereador presos. A lista é longa, tristemente familiar e revela uma tradição de escândalos que atravessa décadas e partidos. Mas, apesar de tantos capítulos vergonhosos, ainda existe um território considerado “sagrado”: nenhum ministro de tribunais superiores jamais foi preso.
Entretanto, parece ter chegado o momento de encarar esse último tabu. A sociedade, exausta de seletividades e privilégios, observa com indignação o que antes seria impensável: ministros do STF que consideram normal, quase protocolar, aceitar carona em jatinhos bancados por figuras notoriamente ligadas ao crime organizado.
Não se trata apenas de transporte. Trata-se do pacote completo da imoralidade pública: viagem para eventos de luxo, hospedagem de alto padrão, refeições e bebidas pagas por quem jamais deveria ter qualquer proximidade com quem julga a lei. A fronteira ética, que deveria ser intransponível para magistrados da mais alta corte, virou faixa borrada.
A sensação de normalização desses privilégios tóxicos abre uma ferida grave: como alguém pode julgar poderosos se, ao mesmo tempo, se permite usufruir de mimos oferecidos por estruturas criminosas? Como exigir lisura, se o próprio exemplo avança rumo ao abismo moral?
A blindagem, construída ao longo dos anos por decisões, discursos e uma aura de intocabilidade, começa a rachar. E quando a confiança pública é corroída, o risco institucional aumenta exponencialmente. Nenhuma democracia se sustenta enquanto seus guardiões flertam com práticas que relativizam a própria essência do cargo.
O Brasil já encarou crises políticas severas, quedas estrondosas e prisões históricas. Mas a possível responsabilização de um ministro de tribunal superior seria o capítulo mais sensível, e talvez o mais necessário, para demonstrar que ninguém está acima da lei.
Se chegou o momento? Tudo indica que sim.
Se o país está preparado? Essa é outra história.
O que está claro é que a sociedade não aceita mais o teatro da falsa moralidade. E quando a confiança se rompe, a Justiça, aquela verdadeira, não a de toga, costuma bater à porta.
(*) Professor e analista político
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