Orçamento de 2026 impõe corte de quase R$ 500 milhões e expõe o discurso em contradição com a prática
Por Taciano Medrado*
Olá caríssimos,
Belíssimo presente de Grego o governo Lula 3 está dando para os reitores das Universidades e Institutos Federais cujo reitores fizeram o "L".
O Orçamento da União para 2026 reserva às universidades federais um presente que lembra mais a mitologia do que a retórica oficial: por fora, a promessa de valorização da educação; por dentro, um corte de quase R$ 500 milhões que compromete o funcionamento, a pesquisa e a permanência estudantil. No terceiro mandato de Lula, a educação superior pública volta a pagar a conta do ajuste, revelando um descompasso preocupante entre o discurso histórico de defesa das universidades e as escolhas fiscais do governo.
Na prática, a redução orçamentária atinge áreas sensíveis: manutenção de campi, laboratórios, bolsas, restaurantes universitários, assistência estudantil e investimentos em ciência e inovação. Em um país que ainda luta para consolidar sua soberania científica e tecnológica, reduzir recursos das universidades é limitar o futuro, especialmente quando a demanda por formação qualificada e pesquisa aplicada cresce em ritmo acelerado.
A gravidade da situação foi oficialmente reconhecida pelas próprias instituições. Segundo a Agência Brasil, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou nota manifestando “profunda preocupação” com os cortes no orçamento das universidades federais promovidos pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A entidade pede a recomposição imediata dos valores, sob pena de comprometer o funcionamento regular das universidades e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.
De acordo com cálculos da Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais sofreu um corte de 7,05%, o que representa uma redução de R$ 488 milhões. A associação alerta que “esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”.
Ainda mais sensível é o impacto na assistência estudantil. Segundo a Andifes, os cortes de aproximadamente R$ 100 milhões nessa área comprometem diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, “colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público”. Trata-se de um golpe direto contra estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, justamente aqueles que mais dependem da universidade pública para romper ciclos históricos de desigualdade.
O cenário se agrava quando se observa que, caso não haja recomposição, o orçamento das universidades federais em 2026 será nominalmente inferior ao executado em 2025, sem considerar os efeitos da inflação e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente os ligados à mão de obra. Ou seja, menos recursos reais para despesas maiores, uma equação que empurra as instituições para a asfixia administrativa.
Como se não bastasse, a Andifes alerta que cortes semelhantes também atingirão a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), comprometendo bolsas, pesquisas e a formação de novos pesquisadores. “Estamos em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas universidades federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, afirma a entidade.
Diante desse quadro, o Orçamento de 2026 se apresenta como um verdadeiro presente de grego às universidades brasileiras. Enquanto o discurso oficial exalta a educação como motor do desenvolvimento, a prática orçamentária mina suas bases. Se o governo Lula 3 pretende, de fato, sustentar a narrativa de valorização da educação pública, a recomposição desses recursos deixa de ser uma opção política e passa a ser uma obrigação histórica.
(*) Redação TMNews do Vale
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