Não foi um piquenique no morro


Foto ilustrativa

(*) Percival Puginna

Parafraseando ministros do STF, as imagens dos acontecimentos do dia 28 de outubro no Rio de Janeiro não registram um piquenique no morro. Não eram jovens em retiro espiritual buscando energia na favela, mas faccionados do Comando Vermelho, portando armamento pesado e abrindo fogo contra a polícia. Portanto, dizer que houve uma chacina não é apenas retórica de boteco ou fake News. É corrupção, na pior de suas expressões: corrupção da Verdade.

Como seria fácil prever, a opinião pública, quanto mais próxima de suas causas e consequências, louvou a operação policial. Nem se Lula levasse para horas de conversa um “engradado” de cerveja (como aqueles que existiam antigamente), isso convenceria um morador da favela de que a operação foi coisa ruim. Quem se concede um padrão de vida como esse da elite que domina o Estado, pensa e age a uma distância estratosférica da favela.

Poucas pessoas sabem que o Rio de Janeiro tem um Mapa do Crime que permite, a todo cidadão, identificar os bairros mais perigosos, os trechos mais hostis dos bairros mais inseguros e os horários em que todo o anjo da guarda prudente desaconselha andar por certos locais.

No Brasil, o Estado inferniza a vida de uma família inteira por bate-boca no aeroporto (e proíbe que as imagens sejam vistas), tornozeleira é peça de vestuário para milhares de cidadãos de bem e há um pacote de acusações criminais pronto para quem emite opinião contrária ao gosto do Estado. No Brasil, uma pessoa virtuosa, exemplar, pode viver um inferno por, supostamente, ter integrado comitiva de uma viagem que ela poderia ter feito, mas não fez, e participado de uma reunião da qual não participou. No Brasil, o Estado pode tudo contra todos, menos contra os verdadeiros criminosos. O Estado impõe sigilos de cem anos, silêncios a quem tem voz, cegueira a quem tem olhos de ver e trevas a quem tem luz própria.

Aos 24 anos, enquanto estudava Direito em Coimbra, Gonçalves Dias (o poeta) escreveu a “Canção do exílio”, na qual arde a saudade das altivas palmeiras onde sabiás exerciam seu direito natural de cantar em liberdade.

(*) Arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras. Escreve, semanalmente, artigos para vários jornais do Rio Grande do Sul, entre eles Zero Hora, além de escrever o seu próprio blog e em outros websites de expressão nacional, a exemplo do Mídia Sem Máscara, Diário do Poder, Tribuna da Internet. Sua coluna é reproduzida por mais de uma centena de jornais.

Artigo publicado no site O Boletim

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