Enquanto o progresso avança, o patrimônio cultural desaparece sob a indiferença do poder público.
Por Taciano Medrado*
Navegando pelas páginas do Facebook, deparei-me com uma publicação de um cidadão chamado Ailton Rodrigues de Souza. Nela, um texto acompanhava uma foto antiga da cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, e dizia:
“Antigo porto de Juazeiro (década de 40). Em destaque, as antigas canoas de tolda e o refinado conjunto arquitetônico do cais. Ao fundo da imagem, veem-se as torres da primeira catedral da cidade.”
Tenho 64 anos de idade, sou filho legítimo de Juazeiro, nasci e me criei na Rua XV de Novembro e na Praça Ivo Braga — mais carinhosamente conhecida como Praça do Boi, graças a um monumento com uma fotografia pintada em azulejo de um vaqueiro tentando laçar um boi.
Ao ver fotos como essas, me pergunto: por que Juazeiro desconstrói a sua própria história?
Recife (PE), Salvador (BA), Ouro Preto (MG) e centenas de outras cidades brasileiras acompanharam o desenvolvimento e cresceram economicamente, mas preservaram a sua história, sua arquitetura, seus monumentos.
A capital pernambucana possui o chamado Recife Antigo, próximo ao cais do porto e à Nova Recife. Salvador, por sua vez, mantém a Cidade Baixa. Ambas as capitais conseguiram conservar seus acervos históricos em harmonia com o progresso e o desenvolvimento.
Os juazeirenses mais antigos, das décadas de 40, 50, 60 e 70, trazem consigo na memória as imagens vivas da Juazeiro de antigamente. Já os que nasceram a partir da década de 80 só conhecem algumas dessas estruturas arquitetônicas por meio de fotografias em preto e branco.
São incontáveis os monumentos, prédios e residências coloniais que foram derrubados para dar lugar a prédios comerciais e bancos.
Na tradicional Rua 28 de Setembro, existiam belas casas de arquitetura colonial, como o palacete do Dr. Miguel Siqueira, que chegou a hospedar um presidente da República em visita a Juazeiro. Foi demolido para dar lugar a prédios comerciais.
Na Avenida Adolfo Viana havia o ostentoso palacete do ex-prefeito Durval Barbosa da Cunha. Na entrada principal, ao lado esquerdo e direito do portão, havia estátuas de dois cães de guarda. Também foi derrubado para dar lugar a uma das agências do Banco do Brasil.
O antigo Mercado Municipal, que funcionava em frente ao cais, e o imponente prédio do Fórum, situado na Praça Imaculada Conceição (Praça da Catedral), foram igualmente sacrificados.
O antigo e centenário cais, símbolo da cidade, foi destruído para dar lugar a uma estrutura de ferro feia, desproporcional e insegura. Dizem que o prefeito da época teria prometido a um empresário do ramo da metalurgia um contrato para compensar o apoio financeiro dado à sua campanha eleitoral, embora isso nunca tenha sido comprovado oficialmente.
Poderia me alongar e buscar na memória outros patrimônios históricos que sucumbiram diante da ganância dos poderes públicos, mas os exemplos citados já bastam para confirmar que Juazeiro caminha a passos largos para se tornar uma cidade desmemoriada.
Por fim, assistimos, por força das obras da travessia urbana, à derrubada de mais um patrimônio histórico da cidade: a banca, que dividia Juazeiro ao meio.
Felizes são aqueles que viveram e desfrutaram da nossa Juazeiro antiga.
Aos mais novos, restam apenas se contentar em testemunhá-la por meio das fotografias.
(*) Professor, redator chefe e cidadão juazeirense
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