CASO BRUNO HENRIQUE: Brasil o pais das impunidades onde tudo acaba em pizza, e uma singela multinha

 


Por Taciano Medrado*

No cadafalso das grandes expectativas populares, mais uma vez assistimos a um roteiro que já virou tradição no Brasil: o escândalo nasce grande, ganha manchetes, provoca indignação geral… e morre pequeno, abafado, resolvido com acordos de bastidores dignos de uma ópera bufa política e judicial. 

O chamado "Caso Bruno Henrique" não foge à regra. Pelo contrário: é um exemplo perfeito de como a pressão, o dinheiro e a conveniência conseguem dobrar a espinha dorsal de instituições que deveriam ser o sustentáculo da credibilidade pública.

Após o adiamento da última segunda-feira, dia 10, o julgamento de Bruno Henrique, do Flamengo, retornou na tarde desta quinta-feira, 13, e o pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu, pela maioria, pela absolvição da suspensão do atacante, que foi multado em R$ 100 mil. 

Com isso, BH27 está liberado para defender o clube na sequência da temporada. Bruno Henrique foi denunciado por supostamente ter forçado um cartão amarelo e beneficiado apostadores em partida do Campeonato Brasileiro de 2023, contra o Santos, no Mané Garrincha. Há poucos meses, em setembro, o camisa 27 foi condenado, em primeira instância, a cumprir 12 jogos de suspensão e a pagar multa de R$ 60 mil.

Em seguida, tanto o Flamengo quanto a Procuradoria do STJD apresentaram recursos. Desde então, o jogador vinha atuando sob efeito suspensivo,  situação que, convenhamos, já desenhava o roteiro do final previsível que agora se confirma.

O desfecho, que deveria representar justiça, termina dando a sensação de que tudo foi conduzido para resultar naquela velha expressão que o brasileiro já decorou: acabou em pizza. Pior,  desta vez veio acompanhado de uma “singela multinha”, uma espécie de esmola moral, um agrado simbólico destinado a acalmar ânimos, distrair o público e oferecer a impressão de que algo foi feito.

Mas o povo já não se engana com tão pouco. A multinha é pequena demais para carregar o peso das dúvidas, das incoerências e das conveniências que cercam o caso. Entre versões mal explicadas, decisões suspeitas e uma sucessão de atenuantes improváveis, o processo foi  sendo empurrado para longe do alcance da indignação coletiva, deixando para trás apenas o desânimo de quem ainda acredita que a lei deveria valer para todos.

O que sobra, ao final, é um misto de frustração e déjà vu. A pizza está servida, a multinha entregue, e a sensação de impunidade,  essa velha conhecida, se mantém firme, trotando lenta e soberana pelos corredores do poder. 

O Brasil merece mais que esses arranjos patéticos. Merece instituições que não se curvem, processos transparentes e desfechos que honrem a verdade, não as conveniências.

Até lá, seguimos assistindo ao desfile das multinhas e ao aroma incessante das pizzas mal assadas da nossa frágil justiça esportiva.

(*) Redator - chefe

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