Por Taciano Medrado*
No Brasil, o “ponto facultativo” é uma das maiores provas de que somos mestres em criar soluções burocráticas para justificar o óbvio: ninguém quer trabalhar na véspera do feriado.
É o famoso feriado não assumido, o recesso envergonhado. O governo finge que o país está em pleno funcionamento, o servidor finge que vai trabalhar, e o cidadão comum já sabe que nada vai acontecer, exceto o fechamento das repartições públicas e a correria nas estradas rumo ao descanso prolongado.
Curioso é que, mesmo sem o decreto de feriado, tudo para. Bancos não abrem, escolas suspendem as aulas, e órgãos públicos operam em ritmo de feriado, quando não estão totalmente de portas fechadas. O expediente “facultativo” é apenas uma cortina de fumaça para o recesso institucionalizado, uma forma elegante de manter as aparências diante da opinião pública.
Enquanto isso, o setor privado, mais uma vez, é quem paga a conta. Pequenos comerciantes e trabalhadores autônomos se veem obrigados a decidir entre abrir e não ter movimento, ou fechar e arcar com o prejuízo. A “facultatividade” vira um dilema: trabalha quem pode, descansa quem tem estabilidade.
Seria muito mais honesto decretar logo o feriado. Ao menos, o país pararia com dignidade, sem precisar fingir produtividade. Mas o Brasil, como sempre, prefere o meio-termo, o improviso, o “jeitinho” que tanto nos caracteriza.
O ponto facultativo é o retrato perfeito da nossa contradição nacional: queremos parecer sérios, mas não resistimos a uma boa folga.
(*) Professor e analista político
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