(*) Taciano Medrado*
Olá, caríssimos,
Diante dos recentes acontecimentos de atentados e assassinatos contra líderes políticos espalhados pela América Latina e pelo mundo, me lembrei do lendário e visionário cantor baiano Raul Seixas, que dizia em um trecho de um dos seus clássicos, “Cowboy Fora da Lei”:
“Mamãe, não quero ser prefeito,
Pode ser que eu seja eleito,
E alguém pode querer me assassinar,
Eu não preciso ler jornais,
Mentir sozinho eu sou capaz,
Não quero ir de encontro ao azar.”
Esses versos, escritos há décadas, continuam incrivelmente atuais. Dizer “quero ser político” no Brasil, hoje, soa quase como uma provocação à própria sorte. A frase “Não! Não quero ser político, alguém pode querer me assassinar” revela o medo, a desilusão e o descrédito que a atividade política passou a carregar, e com razão.
Ser político deveria significar servir à sociedade, construir pontes, buscar o bem comum. Mas, em tempos sombrios de intolerância, polarização e ódio, o político virou alvo fácil de ataques — verbais, morais e até físicos.
A política, que deveria ser o espaço nobre do debate de ideias, transformou-se num campo minado de interesses mesquinhos, vaidades e ameaças. Quem ousa entrar nesse território sem se curvar a esquemas ou sem “rezar na cartilha” de grupos poderosos, corre sério risco. É como andar desarmado em uma guerra onde o inimigo nem sempre se revela, às vezes veste terno, outras vezes se esconde atrás de um perfil falso nas redes sociais.
Essa realidade cruel tem afastado pessoas honestas e bem-intencionadas da vida pública. Jovens que sonham em mudar o mundo desistem antes de tentar, por medo de represálias. Homens e mulheres de caráter preferem o silêncio à exposição. E assim, a política vai ficando cada vez mais nas mãos de quem menos deveria ocupá-la.
É triste, mas verdadeiro: no Brasil, ser político é quase um ato de coragem, ou de loucura. O país que tanto precisa de líderes éticos é o mesmo que empurra para fora aqueles que poderiam transformá-lo. Enquanto isso, os covardes e corruptos continuam reinando, protegidos pelo sistema que eles mesmos construíram.
Talvez o dia em que ser político deixar de ser uma sentença de morte, física ou moral, e voltar a ser sinônimo de servir, possamos dizer com orgulho: “Sim, quero ser político.”
Até lá, o medo continuará sendo o mais poderoso partido do país e muitas vidas ainda serão ceifadas sem piedade.
(*) Professor e analista político
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