Lei da ação e reação: não se combate fuzil com flores

 


Por Taciano Medrado*

Olá, caríssimos. 

A megaoperação realizada no Rio de Janeiro pelas Polícias Civil e Militar contra a facção Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense, nessa última terça-feira (28), vitimou mais de 121 pessoas, sendo 117 narcoterroristas. 

Desde a madrugada de quarta (29), moradores do Complexo da Penha levaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região.

Há momentos na história em que a ingenuidade custa vidas. O Brasil enfrenta um cenário em que o crime organizado deixou de ser apenas uma ameaça velada e passou a ser uma força armada, estruturada e com poder de fogo digno de conflitos internacionais. Diante dessa realidade, insistir em discursos românticos ou em soluções baseadas em boas intenções é fechar os olhos para a gravidade da situação.

A chamada “lei da ação e reação” não é apenas um conceito físico - filosófico,  é um alerta pragmático: não se combate fuzil com flores, tampouco se enfrenta a ousadia criminosa com discursos frágeis e políticas permissivas. Enquanto criminosos empunham armas de guerra e desafiam o Estado, parte da sociedade ainda prefere insistir na narrativa de que o endurecimento das ações de segurança seria um retrocesso ou uma afronta aos direitos humanos.

Defender direitos humanos jamais pode significar proteger a impunidade. Pelo contrário: garantir a vida e a dignidade das pessoas de bem deve ser prioridade. E isso passa, inevitavelmente, por dar às forças de segurança meios e respaldo para agir com firmeza. Não se trata de glorificar a violência, mas de reconhecer que onde reina o crime, a paz só chega depois da ordem.

Soluções brandas diante de problemas brutais apenas alimentam a criminalidade. O Estado que hesita abre caminho para o poder paralelo. E quando o equilíbrio se rompe, quem paga o preço é sempre o cidadão comum — trabalhador, pai de família, comerciante, estudante — refém de uma guerra que ele não escolheu.

O Brasil precisa, sim, investir em inteligência, prevenção e políticas sociais. Mas precisa também ser contundente, firme e intransigente com quem escolhe viver à margem da lei. A paz verdadeira não floresce na passividade: ela se constrói com justiça, autoridade e coragem.

Porque, afinal, enquanto uns pregam flores, outros carregam fuzis. E a história já mostrou de que lado a ingenuidade costuma tombar.

(*) Redator - chefe do TMNews do Vale 

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