Jornalismo ou militância?

(*) Taciano Medrado

Olá caríssimos,

Que o jornalismo brasileiro há muito tempo deixou de ser imparcial e adotou a parcialidade como princípio, isso é inegável. Mas o mais grave é que tal postura tomou contornos preocupantes, pois o cidadão do país não sabe mais discernir o que de fato é verdade ou mentira. As armadilhas que algumas mídias jornalísticas armam para o leitor desavisado são perigosas. Muitas vezes os próprios títulos são tendenciosos e insinuam fatos que não correspondem ao conteúdo, e o "preguiçoso" que apenas lê esses títulos aceita como verdade absoluta — e, pior ainda, ajuda a disseminar fake news.

Nessa quinta-feira(02/10), ao ler um título de um jornal digital, deparei-me com a seguinte manchete: "18 deputados não votaram na isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000". Ao se ater apenas ao título, dá a entender que esses deputados mencionados não votaram porque não quiseram, e não por questões de foro pessoal que os impediram. Afinal, tem mais impacto colocar como manchete que “18 não votaram” do que afirmar que a proposta foi aprovada com 493 votos favoráveis e nenhum contrário, ou seja, por unanimidade. Com que intenção? Faça você mesmo seu julgamento.

Esse exemplo ilustra a perversidade da comunicação tendenciosa. A escolha de palavras, o destaque dado a determinados ângulos e a omissão de informações relevantes são ferramentas de manipulação que desinformam e polarizam a sociedade. Não se trata apenas de reportar fatos, mas de moldar a percepção do público de acordo com interesses específicos.

O jornalismo, que deveria ser a bússola da sociedade, transformou-se em palco de militância. Ao relativizar erros de governos alinhados à esquerda e amplificar falhas de seus opositores, parte da mídia assume uma função política disfarçada de informação. Movimentos e partidos são romantizados como guardiões da democracia, enquanto vozes divergentes são criminalizadas ou ridicularizadas.

O resultado é uma população confusa, presa em bolhas ideológicas e exposta a informações enviesadas que, em vez de esclarecer, obscurecem a realidade. A imprensa, quando abandona seu papel de fiscal do poder para agir como militante, trai sua função mais nobre e se converte em instrumento de manipulação.

O Brasil precisa urgentemente de uma imprensa plural, independente e comprometida com a verdade. Sem isso, a democracia seguirá fragilizada e os cidadãos continuarão reféns de narrativas fabricadas, incapazes de distinguir a realidade da manipulação.

Por fim, quem de fato ameaça o Estado democrático de direito e a democracia,  os manifestantes do dia 8 de janeiro ou a imprensa corrompida? Com a palavra os 11 do STF.

No Brasil, a manchete muitas vezes grita mais do que a verdade.

(*) Professor e analista político

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