Por Taciano Medrado
Neste 16 de outubro, o mundo celebra o Dia Mundial da Alimentação. Mas, em vez de festa, o que deveríamos ter é indignação. Como aceitar que, em pleno século XXI, com toda a tecnologia, conhecimento e abundância de produção, milhões de pessoas ainda dormem com fome, enquanto toneladas de comida vão parar no lixo todos os dias?
O sistema alimentar global é um espelho da injustiça social. De um lado, o desperdício. Do outro, o prato vazio. A conta não fecha — e a responsabilidade não é da “natureza” ou do “destino”. É da má gestão, da desigualdade e da falta de compromisso político com o que deveria ser um direito humano básico: alimentar-se com dignidade.
Segundo a pirâmide das necessidades de Abraham Maslow, a alimentação está na base das necessidades humanas, fazendo parte das condições primárias e essenciais para a sobrevivência. Ou seja, sem comida não há aprendizado, trabalho, saúde ou cidadania. Falar em desenvolvimento sem garantir alimentação é construir sobre areia movediça — não se sustenta.
No Brasil, país que é celeiro do mundo, o paradoxo é ainda mais cruel. Exportamos grãos e proteína para os quatro cantos do planeta, mas milhões de brasileiros enfrentam a fome dentro das próprias fronteiras. Faltam políticas públicas consistentes, sobra descaso.
Enquanto o agronegócio celebra recordes de exportação, famílias nas periferias e na zona rural lutam por um prato de comida. Essa contradição grita aos olhos e revela um país que precisa rever suas prioridades.
Não se trata apenas de “matar a fome”, mas de garantir o direito à alimentação saudável, acessível e sustentável. De valorizar quem planta, respeitar o meio ambiente e combater a especulação que transforma o alimento — símbolo de vida — em mercadoria de luxo.
O Dia Mundial da Alimentação deve ser lembrado como um alerta: a fome não é um fenômeno natural, é uma escolha política. E todo governante que fecha os olhos para isso é cúmplice do prato vazio do povo.
Alimentar o povo é mais que um dever — é um ato de justiça social!
“A fome não é destino, é descaso.”
(*) Professor e redator chefe do TMNews do Vale
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