Por: Taciano Medrado*
A difícil arte de ser coadjuvante sem perder a dignidade política
Em um certo município, de um certo estado, de um certo país (porque a prudência manda não dizer o nome, né?), há um caso político digno de novela das nove. O prefeito, eleito com pompa e circunstância, anda com uma sombra mais fiel que o próprio anjo da guarda: o vice-prefeito. Onde o prefeito vai, lá está ele, firme, sorridente, e, claro, estrategicamente posicionado para sair bem nas fotos.
Dizem que o homem não perde uma. Inauguração de praça? Ele está lá, segurando a fita. Entrega de ambulância? Lá vem o vice, empunhando a chave como se fosse a tocha olímpica. Até em batizado de boneca, se o prefeito for convidado, o vice aparece, de terno e tudo.
A turma da maldade, que não perdoa ninguém, já apelidou a dupla de “Batman e Robin”, embora, neste caso, o Robin pareça querer roubar o lugar do Batman. Outros, mais maliciosos, preferem cantarolar Alexandre Pires quando os dois passam: “Sai da minha aba, saia pra lá, não aturo mais você…”, e o coro ecoa até o coreto da praça.
O curioso é que o vice e o prefeito são de partidos diferentes, mas vivem tão coladinhos que até o pessoal da oposição anda confundindo. Dizem até que o vice aparece mais nas fotos com o prefeito do que a própria esposa dele. A primeira-dama, coitada, já anda reclamando: “Se continuar assim, vou ter que marcar hora pra tirar foto com meu marido!”
E o povo, claro, se diverte. Nas redes sociais, os memes pipocam: um mostra o prefeito inaugurando uma obra e o vice colado atrás com cara de quem diz “cheguei primeiro, chefe!” Outro, mais ousado, traz a legenda: “Vice-prefeito 24h, o homem que nunca tira o crachá.”
Brincadeiras à parte, a coisa é séria. A vice-prefeitura deveria ser um cargo de importância estratégica, uma reserva técnica, como no futebol, que entra em campo quando o titular se machuca. Mas, nesse caso, parece mais aquele jogador que fica no banco, mas invade o campo pra sair na foto do gol dos outros.
O pior é quando o vice se esquece que ser coadjuvante também tem sua arte. Não é feio esperar o seu momento, contribuir nos bastidores, mostrar trabalho de forma discreta. Feio é ser o “papagaio de pirata” da política, aquele que nunca larga o ombro do chefe e só aparece pra repetir o que ele diz.
E, convenhamos, quando o navio começa a afundar, e sempre afunda, , o “papagaio de pirata” é o primeiro a pular fora, alegando que “nunca teve nada a ver com isso”. Pois é… na política, lealdade tem prazo de validade, e fotografia tem registro eterno.
Moral da história? Ser vice não é vergonha. Vergonha é não saber ser vice e querer brilhar mais que o sol. Afinal, o coadjuvante que força demais o protagonismo corre o risco de virar apenas figurante — e, pior, figurante de si mesmo.
(*) Professor e redator-chefe do TMNEWS DO VALE
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