Por Taciano Medrado*
O Dia da Criança, celebrado em 12 de outubro, deveria ser uma data de alegria, reflexão e compromisso com o futuro das novas gerações. No entanto, em vez de presentes, o que milhões de crianças brasileiras recebem é um verdadeiro presente de grego dos governantes: escolas sucateadas, falta de segurança, alimentação precária e ausência de políticas públicas que realmente assegurem dignidade e oportunidade.
Enquanto o marketing oficial espalha campanhas coloridas, recheadas de sorrisos e promessas, a realidade nas periferias e nas comunidades carentes mostra um país que falha em garantir o básico. Crianças fora da escola, sem acesso a lazer, saúde e cultura, são empurradas precocemente para o trabalho informal, a violência e a exclusão. É o retrato cruel de um Estado que celebra a infância com discursos, mas a abandona na prática.
Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, mais de 100 mil crianças de até 9 anos foram internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024 por doenças associadas à falta de saneamento básico. A ausência de infraestrutura adequada, como rede de esgoto e água tratada, continua impactando diretamente a saúde infantil, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
O estudo mostra que 70 mil hospitalizações ocorreram entre crianças de 0 a 4 anos, faixa etária mais suscetível a infecções, enquanto outras 30 mil afetaram menores de 5 a 9 anos. Entre as principais causas estão doenças de veiculação hídrica, como diarreia, cólera e infecções intestinais, que se espalham facilmente em locais com água contaminada ou parada.
Os impactos vão além da saúde. Segundo o instituto, a exposição constante a essas doenças prejudica o desenvolvimento físico e cognitivo, aumenta a evasão escolar e compromete o potencial de renda futura dessas crianças. “A falta de saneamento básico condena parte da população infantil a um ciclo de pobreza e adoecimento”, aponta o estudo.
Em números regionais, o Sudeste lidera o ranking nacional, com 116 mil internações em todas as faixas etárias, seguido pelo Nordeste, com 93 mil. O Sul registrou 54 mil casos, o Centro-Oeste, 43 mil, e o Norte, 35 mil.
Os governantes, que deveriam ser os guardiões do futuro, preferem gastar bilhões em campanhas eleitorais, obras superfaturadas e privilégios políticos, enquanto o investimento em educação infantil, saneamento e proteção social segue sendo tratado como despesa, e não como prioridade.
De que adianta distribuir brinquedos por um dia, se o resto do ano é marcado por descaso, fome e promessas vazias? O verdadeiro presente que uma criança precisa não está em lojas ou pacotes coloridos — está em escolas que funcionem, professores valorizados, saneamento digno, saúde acessível e um ambiente seguro para crescer.
Neste 12 de outubro, mais do que comemorar, é preciso denunciar. Porque o futuro do Brasil não está sendo roubado por ladrões de galinha, mas por gestores que trocam o sorriso das crianças por palanques e discursos. E esse, sim, é o pior presente que um país pode oferecer à sua infância.
(*) Redator - chefe do Editorial TMNEWS do Vale
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