(*) Taciano Medrado
Olá caríssimos,
Enquanto os brasileiros sofrem com aumentos de tarifas em serviços básicos, três prefeitos de cidades exportadoras, Anderson Farias (São José dos Campos-SP), Alexandre Ferreira (Franca-SP) e Andrei Gonçalves (Juazeiro-BA), embarcam para os Estados Unidos.
Oficialmente, vão tentar negociar, ou melhor, "enxugar gelo" com autoridades americanas os impactos do tarifaço do governo Trump sobre frutas, calçados, café e aviação.
Esquecem os nobres prefeitos que as sanções impostas pelo presidente americano Donald Trump, como o Tarifaço de 50% contra o Brasil revogação de vistos de ministros do STF e autoridades ligadas ao governo Lula 3, são medidas tomadas em defesa dos interesses dos cidadão americanos atingidos por decisões do judiciário brasileiro politizado e tendencioso que orquestrou um "justiçamento" escandaloso contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e que nenhum argumento de Lula e quiçá dos prefeito fará Trump recuar na sua decisão.
A missão integra a Conferência Nacional de Prefeitos dos EUA, em Oklahoma, e ocorre na mesma semana em que Lula esteve na ONU e ouviu de Trump que tiveram uma “química excelente” em rápidos 39 segundos de conversa. O contraste não poderia ser mais simbólico: de um lado, o discurso diplomático; de outro, prefeitos tentando salvar setores inteiros da economia brasileira.
Corre boatos na cidade que o prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves (MDB), não se contém de tanta ansiedade, pois é a primeira vez que irá viajar para os EUA — e agora aproveita a “boquinha” do dinheiro público para satisfazer seu sonho de conhecer o país do Tio Sam.
O documento apresentado pela comitiva pede a reabertura de canais de negociação, revisão gradual do regime tarifário e até a criação de um fórum Brasil-EUA sobre comércio e desenvolvimento local. O argumento central é que o tarifaço prejudica não só o Brasil, mas também consumidores e empresas americanas.
No Vale do São Francisco, o preço da manga caiu de R$ 5 para pouco mais de R$ 1, ameaçando milhares de empregos temporários. Em Franca, 20 mil pares de calçados estão encalhados nos estoques, e fábricas já falam em férias coletivas. Em São José dos Campos, a Embraer sofre para competir com gigantes como Boeing e Bombardier, isentas de impostos.
O discurso dos prefeitos é que a missão busca evitar um colapso maior e garantir competitividade. Mas, para o cidadão comum, a cena tem gosto amargo: enquanto o povo paga tarifas cada vez mais altas, seus representantes viajam em “missões técnicas” que sempre acabam em selfies no exterior.
No fim, resta a sensação de que, entre tarifas, desemprego e promessas de negociação, quem realmente sai sorrindo dessa história é o Mickey, que recebe de braços abertos os prefeitos brasileiros em mais uma viagem bancada pelo contribuinte.
(*) Professor e analista político
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