Perseguição e vingança sem limites?


(*) Taciano Medrado

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Mas vamos ao que interessa! 

Parece que a “justiça imparcial” do Brasil resolveu trocar a balança pelo martelo da vingança. Supremo, Receita Federal e Polícia Federal, num raro alinhamento digno de constelação astronômica, parecem ter descoberto a fórmula mágica de que todos os problemas do país podem ser resolvidos com uma única obsessão: perseguir Jair Bolsonaro e sua família.

Enquanto a inflação morde o bolso do trabalhador, a saúde pública continua um caos e a violência explode nas ruas, o Estado mobiliza sua máquina para vasculhar até o extrato do cafezinho pago no cartão de crédito dos filhos do ex-presidente. Afinal, prioridades são prioridades, não é mesmo?

É irônico notar que para investigar a corrupção endêmica que drena bilhões dos cofres públicos, o Estado sempre encontra dificuldades, processos se arrastam por décadas e provas “se perdem” misteriosamente. Mas quando o alvo é Bolsonaro, a agilidade processual beira a velocidade da luz. Parece até que o futuro do Brasil depende de descobrir quantas vezes a família sacou dinheiro vivo no caixa eletrônico.

Segundo a revista VEJA, Jair Bolsonaro e sua família deverão arcar com dívidas pesadas após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. O capitão terá de pagar uma multa de 379 mil reais, além de estar obrigado a participar da quitação de uma dívida de 30 milhões de reais de forma solidária com os outros envolvidos no caso.

Esses valores são estipulados pelo Supremo a todos os condenados como forma de ressarcir os prejuízos provocados com o vandalismo ocorrido nas sedes do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e STF no dia 8 de janeiro de 2023. A dívida tem de ser quitada após o fim dos recursos contra a condenação, o que deve ocorrer ainda neste ano.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também poderá sofrer consequências do julgamento do marido. No mês passado, a Polícia Federal informou ao STF que Jair Bolsonaro repassou 2 milhões de reais para a esposa um dia antes de prestar depoimento no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Para a PF, a transferência dos recursos foi uma forma de resguardar o patrimônio do ex-presidente frente à possibilidade de bloqueio judicial.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também entrou no rol dos investigados por ter recebido outros 2 milhões de reais do pai ao viajar aos Estados Unidos, de onde vem defendendo sanções do governo de Donald Trump ao Brasil. A polícia investiga se houve ilegalidade na transferência.

Já o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caiu na malha fina da Receita Federal, que cobra 286 mil reais do parlamentar referente a débitos do Imposto de Renda Pessoa Física. O nome do senador já foi inscrito na Dívida Ativa da União. O próximo passo é a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional impetrar um processo na Justiça Federal para cobrar o valor.

Evidente que, diante de tantos zeros nas planilhas e manchetes, o espetáculo midiático está garantido. Resta a dúvida: seria este um processo exemplar de justiça ou uma encenação de vingança ilimitada?

O curioso é que até Fernandinho Beira-Mar, Marcola e outros chefes do crime organizado não viram tamanho afinco do Estado para cercar suas finanças. Mas com Bolsonaro, ah, aí é diferente: não basta processar, é preciso sufocar, expor, humilhar. O recado é claro: qualquer um que ouse desafiar o sistema será caçado até o último centavo.

E assim, com toga, algema e planilha fiscal, o Brasil vai escrevendo mais um capítulo tragicômico da sua história política. Justiça? Talvez. Vingança? Quase certeza.

(*) Professor, redator - chefe e analista político 

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