Eis o retrato do Brasil: o ministro Luiz Fux, indicado por Dilma Rousseff (PT), até ontem era exaltado como exemplo de jurista equilibrado, parece estar experimentando na pele o que significa contrariar a cartilha da militância vermelha. Bastou votar pela absolvição de Jair Bolsonaro para virar, da noite para o dia, vilão nas páginas da imprensa marrom e alvo da fúria dos Lulopetistas esquerdistas de plantão.
A narrativa é sempre a mesma: enquanto segue a pauta progressista, o magistrado é celebrado como exemplo de sabedoria e guardião da democracia. No instante em que rompe essa linha, passa a ser tachado de traidor, alvo de ataques e insinuações maldosas. Não importa a biografia, a trajetória ou mesmo quem o indicou para o cargo – o pecado é não servir cegamente ao projeto político que se esconde atrás do discurso democrático.
O que está em jogo não é o voto em si, mas a liberdade de um ministro de decidir conforme sua consciência e a Constituição. A tentativa de desmoralizar Fux revela o verdadeiro autoritarismo de quem só respeita as instituições quando elas lhes servem. Hoje o linchamento midiático se volta contra ele; amanhã poderá ser contra qualquer outro que ouse não se ajoelhar diante do tribunal da ideologia.
O detalhe irônico é que nem mesmo o fato de ter sido escolhido por um governo do PT serviu como “escudo protetor” para Fux. O crime dele foi apenas não ajoelhar diante do altar ideológico da esquerda.
O recado é claro: liberdade de voto só existe se o resultado for conveniente. A tal democracia que tanto defendem é, na verdade, um regime de pensamento único, em que ministros, jornalistas e cidadãos são tolerados apenas quando repetem o mantra oficial.
No fim, o linchamento midiático de Fux não é sobre Bolsonaro, nem sobre justiça. É sobre poder. E sobre o medo que os donos da narrativa têm de perder o monopólio da verdade.
No fim, a pergunta que fica é: queremos um Supremo refém de pressões e narrativas ou ministros que tenham coragem de votar com independência, mesmo sabendo o preço que pagarão?
(*) Professor e analista político
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