No Brasil, até julgamento virou espetáculo. O processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro tem menos cara de justiça e mais de roteiro mal escrito, onde o final já está rabiscado nos bastidores. Falta suspense, falta neutralidade, mas sobra teatro, e dos ruins.
Nessa terça-feira (02 de setembro) terá início um dos julgamentos mais esdrúxulos da Justiça brasileira, o do ex-presidente Jair Bolsonaro. De que o acusam? De golpista? De antidemocrático?
Afinal, tivemos um outro ex-presidente que foi condenado em três instâncias superiores e preso por mais de 500 dias numa pequena cela da carceragem da PF em Curitiba por ter se envolvido em atos de corrupção, segundo apurou a Operação Lava Jato. Teve seus direitos políticos cassados e, como num passe de mágica e de amnésia coletiva de seus julgadores, viu sua sentença ser revogada, ganhou de volta a liberdade e, de quebra, a elegibilidade que lhe permitiu se candidatar, e vencer, pela terceira vez à Presidência da República.
O que mais impressiona é que os mesmos ministros do STF que, à época, faziam duras críticas ao atual presidente, foram justamente os que abriram caminho para sua volta triunfal ao Planalto. E, como se não bastasse a ironia, até um de seus maiores opositores, autor da célebre frase “Lula quer voltar para a cena do crime”, virou seu vice-presidente de chapa.
A cada sessão, fica evidente que ministros do STF abandonaram há muito tempo o papel de árbitro para assumir o de protagonista. E o Judiciário, que deveria ser a última trincheira da imparcialidade, hoje atua como ator político de primeira linha. A toga virou figurino, a caneta virou espada e o julgamento, um palco para demonstrações de poder.
Enquanto isso, a mídia tradicional cumpre o papel de claque ensaiada, aplaudindo cada cena como se estivéssemos diante da mais nobre defesa da democracia. Mas no fundo todos sabem: democracia não se fortalece com decisões previsíveis embaladas como espetáculo, se enfraquece.
A pergunta que incomoda e que poucos têm coragem de fazer é simples: trata-se de justiça ou de vendeta política travestida de processo legal? A julgar pelo clima, o veredito parece menos uma conclusão jurídica e mais um troféu político entregue de bandeja.
O cidadão comum, reduzido a plateia, paga caro por esse teatro de vaidades. E quando a cortina se fechar, daqui a uns poucos dias de espetáculo, restará não apenas ao povo brasileiro, mas ao mundo, a sensação amarga de que, mais uma vez, o país foi espectador de um show onde a democracia foi só coadjuvante.
(*) Professor e analista político
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